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Indústria mineira cresce acima da média nacional em 2025, apesar de queda em dezembro

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Desempenho de 2025 é puxado por extrativa e automotiva, mesmo com desaceleração no fechamento do ano (Gil Leonardi / Imprensa MG)

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A indústria mineira fechou 2025 com uma expansão de 1,3% na produção, superando o crescimento nacional de 0,6%, apesar de recuar 4,7% em dezembro. O resultado anual positivo foi sustentado pelos avanços nos setores extrativo e de transformação, segundo dados analisados pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Fechamento do ano

A retração de 4,7% observada em dezembro foi mais profunda que a queda de 1,2% da média nacional, refletindo ajustes severos no fechamento do período anual. O desempenho negativo foi puxado pela indústria extrativa, que recuou 5,0%, e pela indústria de transformação, que registrou uma baixa mensal de 2,2%. Das treze atividades pesquisadas no estado, oito apresentaram recuo produtivo no último mês do ano, afetando o balanço de curto prazo.

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Os setores de metalurgia e fabricação de veículos foram os principais detratores do índice mensal, com quedas expressivas de 11,1% e 7,7%, respectivamente, em dezembro. A produção de itens metálicos e de alimentos também contribuiu para o resultado negativo, com retrações que impactaram a cadeia de suprimentos local no estado. Os números demonstram uma desaceleração pontual após meses de intensa atividade em ramos estratégicos para o Produto Interno Bruto (PIB) mineiro.

Em contrapartida, a fabricação de máquinas e equipamentos surpreendeu com um salto de 64,5% em dezembro, liderando as poucas contribuições positivas registradas no mês. O setor químico também avançou 7,8% no último mês do ano, mitigando parte das perdas registradas nos outros segmentos industriais da transformação mineira.

Acumulado

No acumulado do ano, a indústria extrativa cresceu 3,1% e a de transformação subiu 0,6%, desempenho superior ao agregado fabril nacional. O grande destaque do período foi o setor automobilístico, que acumulou alta de 12,1%, seguido pela metalurgia com 2,1% e pela fabricação de alimentos. O balanço anual confirma que Minas Gerais conseguiu navegar pelos desafios econômicos com mais eficiência do que outras unidades federativas.

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Entretanto, nem todos os setores prosperaram em 2025, com quedas de 14,0% em materiais elétricos e 6,2% em minerais não metálicos durante os 12 meses. As atividades, sensíveis ao crédito, sofreram com a estagnação da construção civil e com a baixa no consumo das famílias. Segundo análise da Fiemg, a manutenção de juros elevados ao longo do ano desencorajou financiamentos de longo prazo, afetando a produção de bens duráveis.

Outro fator que pesou no desempenho industrial foi a quebra na safra de cana-de-açúcar, o que prejudicou diretamente o setor de biocombustíveis e derivados de petróleo. O entrave agrícola funcionou, de acordo com a Fiemg, como um vetor de desaceleração constante, limitando o potencial de crescimento da agroindústria mineira durante o ano analisado.

Entre anos

Na comparação interanual, dezembro de 2025 apresentou alta de 2,0% sobre dezembro de 2024, impulsionada pelo expressivo salto de 13,3% verificado na indústria extrativa mineira. Por outro lado, a transformação caiu 2,8% nessa mesma base de comparação, com recuos acentuados em produtos químicos e derivados de petróleo refinado. O dados indicam que a base de comparação anual foi salva pelo setor mineral, mascarando a fraqueza fabril mensal.

Setores como fumo e papel e celulose também tiveram variações positivas na comparação anual de dezembro, com altas de 11,5% e 4,5%, respectivamente, para o estado. Máquinas e equipamentos manteve a trajetória de forte expansão interanual com 48,7%, consolidando-se como um dos pilares de sustentação da produção regional.

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No cenário externo, a indústria acompanha com atenção o progresso do acordo entre Mercosul e União Europeia, avaliado pela Fiemg como positivo para a diversificação de parceiros. Embora a maior concorrência estrangeira gere preocupação em setores menos competitivos, a abertura de novos mercados é vista como fundamental para o crescimento futuro.

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Thiago Cândido

Jornalista pela UFMG. Repórter na 98 desde 2025. Participou de reportagens vencedoras do Prêmio CDL/BH de Jornalismo 2024 e Prêmio Mercantil de Jornalismo 2025.

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