A mãe de Eliza Samudio, Sônia Moura, se manifestou publicamente após a repercussão da notícia sobre a localização do passaporte da filha em Portugal. Em texto marcado por “dor e exaustão”, Sônia criticou a forma como o tema foi tratado por parte da imprensa e afirmou que a divulgação “reabre feridas” de um luto que nunca cessou.
“Tudo o que tenho a dizer, neste momento, vem de um lugar de profunda dor e exaustão emocional”, escreveu Sônia. Segundo ela, houve falta de cuidado e de apuração adequada na condução do caso. “Minha filha está morta. E essa é uma frase que nenhuma mãe deveria repetir todos os dias para si mesma”, apontou.
A mãe de Eliza afirmou que a repercussão do tema, inicialmente divulgado pelo Portal Léo Dias, transforma a dor em revolta. “Dói ainda mais ver a imagem da minha filha sendo usada como se fosse um instrumento para gerar audiência, dinheiro e fama”, registrou na publicação.
No texto, Sônia também questiona a narrativa divulgada sobre o passaporte, apontando inconsistências. “A história divulgada está cheia de lacunas, coincidências e pontos que não se encaixam. Não acredito que tudo tenha acontecido de forma aleatória”, disse. Para ela, há “fatos mal explicados” e “perguntas sem respostas” que aumentam a angústia de quem convive com o luto há anos.
Apesar das críticas, Sônia Moura afirmou que, por ora, opta pelo silêncio como forma de autopreservação. “Escolho me manter em silêncio para tentar sobreviver à saudade, para tentar respirar em meio à dor e preservar o pouco de paz que ainda consigo reunir”. Entretanto, ela deixou claro que pretende cobrar esclarecimentos oficiais.
Entenda a repercussão
Na última segunda-feira (5/1), o Portal Léo Dias divulgou a informação de um homem que teria encontrado, em Portugal, um passaporte de Eliza Samudio, morta em 2010 a mando do ex-amante e goleiro Bruno Fernandes. Segundo relato do homem não identificado pela reportagem, o item foi localizado numa casa alugada e compartilhada entre cinco pessoas.
Ainda segundo o veículo, no documento consta apenas um carimbo de entrada de Eliza no país, datado de 2007. Horas depois, o Itamaraty atestou a originalidade do passaporte.
Relembre o caso
Eliza Samúdio desapareceu em 4 de junho de 2010, aos 25 anos, após dizer a amigos que faria uma viagem. Ela nunca mais foi vista e, posteriormente, foi considerada morta depois que suspeitos confessaram participação em seu assassinato. O último paradeiro apontado nas investigações foi o sítio do então goleiro Bruno Fernandes, em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Eliza havia se relacionado com Bruno entre 2008 e 2009. A modelo engravidou do atleta, tornando pública a gestação e a paternidade em 2009. Durante a gravidez, ela registrou ocorrências policiais, e o filho do casal, Bruninho, nasceu em fevereiro de 2010.
No curso das investigações, a polícia encontrou roupas e fraldas no sítio do jogador, enquanto a criança foi localizada na periferia de BH. Confissões apontaram que Eliza foi estrangulada e, após a morte, esquartejada, mas os restos mortais dela nunca foram encontrados.
