A Copasa, Companhia de Saneamento de Minas Gerais, informou, nesta quarta-feira (27/5), que irá reapresentar o cronograma da oferta pública de ações ligada ao processo de privatização da companhia.
A decisão foi anunciada após o Governo de Minas, acionista majoritário, comunicar ao mercado financeiro que determinadas condições da operação serão alteradas em razão de “fatores supervenientes” identificados durante a oferta.
A expressão é usada no mercado financeiro e no meio jurídico para indicar fatos novos surgidos após o lançamento da operação e que podem alterar as condições inicialmente previstas.
O processo prevê a venda de cerca de 171 milhões de ações ordinárias da estatal mineira na Bolsa de Valores, em uma operação conduzida pelo Estado de Minas Gerais com apoio de bancos coordenadores do mercado financeiro.
Nos comunicados divulgados nesta quarta, tanto o governo quanto a Copasa afirmam que os documentos da operação — incluindo o prospecto preliminar da oferta — precisarão ser modificados e reapresentados ao mercado
A companhia também informou que o Comitê de Coordenação e Governança de Estatais ainda deverá analisar as mudanças antes da divulgação do novo cronograma.
Disputa no mercado
Havia a expectativa de anúncio dos investidores de referência, nesta quarta-feira. Inicialmente, grupos interessados na operação apresentaram propostas não vinculantes ao governo mineiro. Entre eles estavam a Aegea e a Equatorial Energia.
A Aegea é atualmente uma das maiores companhias privadas de saneamento do país e opera serviços de água e esgoto em diversos estados brasileiros por meio de concessões e parcerias público-privadas.
Já a Equatorial atua principalmente no setor elétrico, mas ampliou presença na área de saneamento nos últimos anos. O grupo passou a controlar a Sabesp após a privatização da estatal paulista concluída em 2024.
A Sabesp chegou a ser apontada como potencial interessada na disputa pela Copasa, mas desistiu oficialmente da operação na semana passada. Com isso, o mercado passou a trabalhar com a possibilidade de a Aegea permanecer como única interessada na aquisição do controle da companhia mineira.
O cenário aumentou questionamentos sobre a competitividade da venda e levantou dúvidas sobre o valor que poderia ser arrecadado pelo Estado em uma eventual negociação sem disputa entre concorrentes.
Veja a nota da Copasa, na íntegra, sobre o comunicado desta quarta-feira
A Copasa esclarece que, conforme Fato Relevante publicado nesta data (27/05) o cronograma e as condições da oferta pública subsequente de ações de emissão da Companhia passarão por modificações. A instituição ressalta que tais medidas decorrem de instruções expressas e formais do acionista controlador, o Estado de Minas Gerais, por meio do Ofício SEDE/ASMERC número 44/2026. As alterações serão submetidas à deliberação do Comitê de Coordenação e Governança de Estatais e, uma vez validadas, os novos documentos da oferta e o respectivo cronograma atualizado serão oportunamente reapresentados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e divulgados ao mercado.
A Companhia reforça que cumpre o seu papel institucional de dar transparência aos ritos processuais determinados pelo acionista vendedor e que, em razão do período de silêncio regulatório e do caráter estritamente informativo do documento, a Diretoria Executiva não emitirá comentários adicionais sobre as razões estratégicas do Estado ou sobre o mérito das alterações até a republicação dos atos oficiais.
TCE analisa pedido do Sindágua
O processo é questionado no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), que analisa um pedido apresentado pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto do Estado de Minas Gerais (Sindágua-MG).
A entidade pede a suspensão imediata do processo de privatização e afirma que as regras estabelecidas pelo governo restringiram a concorrência.
Segundo o sindicato, exigências como garantia bancária bilionária, prazo reduzido para inscrição e comprovação de alto volume de investimentos afastaram potenciais participantes da disputa.
O Sindágua também argumenta que a venda com apenas um interessado poderia reduzir o valor arrecadado pelo Estado. O pedido protocolado no TCE solicita a paralisação das etapas da privatização por até 60 dias para revisão das regras da operação.
Sobre este processo, a Copasa informou o seguinte:
A Copasa informa que não foi formalmente notificada acerca de novas representações perante o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) relativas ao processo de oferta pública de suas ações. A Companhia reitera que o processo de desestatização segue rigorosamente todos os ritos legais, constitucionais e regulatórios vigentes, pautado pela transparência e em estrita observância às normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A instituição esclarece que todas as informações pertinentes à operação, bem como os fatores de risco inerentes ao negócio, constam detalhadamente nos documentos que já são públicos e acessíveis a todo o mercado no Prospecto Preliminar da oferta. Diante das regras de governança e das restrições de conduta impostas pelo período de silêncio regulatório, a Companhia não emite comentários sobre o mérito de peças jurídicas ou manifestações de terceiros em tramitação nos órgãos de controle.