Minas Gerais foi o estado mais perigoso para se trafegar em rodovias federais no Brasil em 2025. A média é de 8 mortes a cada 100 acidentes. O Guia da Confederação Nacional de Trânsito 2026 mostra que MG registrou 9.559 acidentes em 12 meses, um total de 764 mortes e 11.986 feridos. O Paraná, segundo colocado, registrou 593 óbitos, seguido pela Bahia, com 584.
No ranking nacional de volume de acidentes, MG lidera isoladamente, seguido por Santa Catarina (8.184) e Paraná (7.619). Contudo, é na letalidade que a situação mineira se mostra mais crítica.
‘Rodovia da Morte’
A BR-381 segue no topo do ranking de periculosaidade. A rodovia concentra 2.843 acidentes, quase 30% das ocorrências em rodovias federais em MG, e foi palco de 158 mortes. O trecho entre o km 480 e 490, na região metropolitana de BH, é o ponto mais crítico, somando 280 acidentes e 9 mortes em um curto espaço de 10 quilômetros.
Outras vias também figuram no “mapa da morte” traçado pela CNT. A BR-040 apresenta alta letalidade no km 660-670, com 11 mortes, enquanto a BR-251 registrou 10 óbitos no trecho entre o km 440 e 450.
| Rodovia | Trecho (Km) | Mortes | Acidentes Totais no Trecho |
| BR-040 | 660 – 670 | 11 | 40 |
| BR-251 | 440 – 450 | 10 | 13 |
| BR-381 | 430 – 440 | 10 | 58 |
| BR-251 | 470 – 480 | 9 | 34 |
| BR-381 | 480 – 490 | 9 | 280 |
| BR-040 | 420 – 430 | 8 | 30 |
| BR-381 | 490 – 500 | 8 | 196 |
| BR-040 | 520 – 530 | 7 | 167 |
| BR-040 | 580 – 590 | 7 | 23 |
| BR-040 | 600 – 610 | 7 | 45 |
Infraestrutura
A análise do relatório aponta que a infraestrutura das rodovias também influencia no número de acidentes. Segundo o Guia CNT, 65,4% da extensão rodoviária avaliada apresenta algum tipo de problema. O dado mais alarmante é a geometria da via (curvas, traçados e acostamentos), classificada como deficitária em 71,6% das vias. Foram mapeados 138 pontos críticos específicos ao longo do estado.
Ranking da má qualidade
A CNT também classificou a qualidade geral do pavimento e sinalização. Os piores trechos avaliados foram:
- MG-267 (Campanha – Caxambu): Classificação PÉSSIMO.
- BR-120 (Araçuaí – Jenipapo de Minas): RUIM.
- MG-265 (Ubá – Mercês): RUIM.
- MG-342 (Salinas – Araçuaí): RUIM.
- MG-455 (Campo Florido – Planura): RUIM.
A geometria deficitária das vias dialoga com a principal causa de mortes apontada no relatório: a ausência de reação do condutor (15,2% dos óbitos). Isso inclui desatenção, sono ou incapacidade de agir a tempo.
- Frequência: responsável por 17,7% de todos os acidentes (1.690 casos).
- Letalidade: causou 15,2% das mortes (116 óbitos).
Já o tipo de acidente mais comum e mortal é a colisão, representando 55,3% dos casos e mais da metade das mortes (60,2%).
Impacto no sistema de saúde
Com quase 12 mil feridos, Minas Gerais lidera o ranking de vítimas não fatais na região Sudeste, superando com folga o Rio de Janeiro (7.647) e São Paulo (4.982).
