Minas Gerais vai sediar um centro nacional estratégico para o desenvolvimento de vacinas e terapias com tecnologia de RNA, considerado um avanço na capacidade científica do país.
A estrutura será implantada em Belo Horizonte, no BH-TEC, sob coordenação do CTVacinas, ligado à UFMG, e terá investimento de R$ 60 milhões ao longo de quatro anos.
“[A novidade] aumenta a autonomia nacional e a capacidade de resposta a futuras pandemias”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Tecnologia ganhou força após a Covid-19
As plataformas baseadas em RNA ganharam destaque global durante a pandemia de Covid-19, por permitirem o desenvolvimento mais rápido de vacinas.
Agora, o Brasil busca estruturar capacidade própria nessa área, considerada estratégica para o SUS e para a soberania nacional.
Centro será implantado em BH
O novo centro será instalado no BH-TEC, em Belo Horizonte, com expansão prevista para o futuro Centro Nacional de Vacinas.
A operação começa ainda neste semestre, com crescimento gradual até 2027.
O investimento total será de R$ 60 milhões ao longo de quatro anos, com aporte equivalente do próprio CTVacinas.
Foco é levar pesquisa até o paciente
A proposta do centro é encurtar o caminho entre laboratório e aplicação prática.
“Esse é um salto importante. A gente passa a ter condições de avançar com vários projetos ao mesmo tempo e levar essas soluções até o paciente”, disse o coordenador do CTVacinas, Ricardo Gazzinelli.
Entre as prioridades estão:
- vacinas de RNA contra influenza (gripe)
- malária
- chikungunya
- pesquisas para doenças como Chagas e leishmaniose
No caso da gripe, a tecnologia permite atualização mais rápida das vacinas, acompanhando variantes em circulação.
Parcerias e formação de profissionais
O centro também terá atuação em rede com universidades e instituições nacionais e internacionais, incluindo parcerias com a USP e centros dos Estados Unidos.
Além da pesquisa, o projeto prevê formação de especialistas em biotecnologia, cooperação com empresas e intercâmbio internacional de pesquisadores. “O objetivo é atrair empresas e formar pessoas preparadas para atuar nesse mercado”, afirmou a coordenadora Santuza Teixeira.
Brasil busca protagonismo global
Para os responsáveis pelo projeto, a iniciativa reposiciona o país no cenário internacional.
“Isso coloca o Brasil dentro do cenário global de vacinas e terapias de RNA”, disse Santuza Teixeira.
Com a nova estrutura, o país passa a reduzir dependência externa e ampliar a capacidade de resposta a crises sanitárias.
