A mineradora australiana St George Mining assinou um protocolo de intenções com o grupo brasileiro Lima & Pergher, por meio da divisão química e industrial START, para avaliar a instalação de um centro de separação e processamento de terras-raras em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O projeto tem investimento estimado em R$ 2 bilhões.
A proposta é que a unidade seja instalada no complexo industrial da START, que já possui estrutura para atividades químicas e industriais. O centro terá capacidade para prestar serviços de processamento a projetos de mineração de terras-raras em desenvolvimento em Minas Gerais, incluindo o Projeto Araxá, da própria St George. A previsão é de que a operação comece em 2030, mas isso ainda depende de uma decisão final de investimento e das licenças necessárias.
O acordo foi anunciado durante a Exposibram 2026, em Belo Horizonte. Além da St George e da Lima & Pergher, participam da iniciativa o governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (SEDE) e da Invest Minas. O Estado deverá apoiar os procedimentos de licenciamento, a articulação com fornecedores e prestadores de serviços e os pedidos de incentivos fiscais estaduais.
A intenção é criar uma estrutura voltada à etapa intermediária da cadeia produtiva de terras-raras, com tecnologia para refinar diferentes tipos de matéria-prima, como concentrado de terras-raras, carbonato misto de terras-raras (MREC) e oxalato. A unidade também poderá produzir materiais utilizados na fabricação de ímãs de terras-raras.
Segundo a empresa australiana, a START possui experiência em processamento químico e opera um complexo industrial de mais de 500 mil metros quadrados em Uberlândia. A estrutura conta com infraestrutura para atividades industriais de grande escala, além de acesso a energia, gestão de resíduos, estradas, produtos químicos e mão de obra especializada.
Pelo acordo, a START poderá disponibilizar área para a construção do centro, fornecer acesso à eletricidade e contribuir com conhecimento técnico para o projeto, além de considerar a gestão da construção e da operação da unidade. A St George, por sua vez, pretende fornecer a matéria-prima proveniente do Projeto Araxá, compartilhar estudos de processamento e disponibilizar profissionais técnicos para auxiliar no desenvolvimento do centro.
A iniciativa também poderá atender outros projetos de terras-raras em Minas Gerais e tem potencial de integração com o projeto MagBras, voltado à produção de ímãs de terras-raras no Brasil. A St George afirma que já forneceu material do Projeto Araxá para testes metalúrgicos da iniciativa.
Projeto Araxá
O centro de processamento está diretamente relacionado ao desenvolvimento do Projeto Araxá, que concentra a atuação da St George em Minas Gerais. Em 11 de agosto, a empresa anunciou uma estimativa de recursos minerais de 111,2 milhões de toneladas, com 3,57% de óxidos totais de terras raras (TREO) e 0,57% de óxido de nióbio (Nb₂O₅).
Do total, 75,2 milhões de toneladas estão classificadas como recursos medidos e indicados. Segundo a companhia, esse volume contém aproximadamente 2,7 milhões de toneladas de TREO, incluindo 520 mil toneladas de óxidos de neodímio e praseodímio (NdPr).
A St George também informou que apresentou o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) para buscar a licença prévia do Projeto Araxá. A empresa pretende avançar no desenvolvimento da mina enquanto avalia, junto à START, a implantação do centro de processamento em Uberlândia.
Apesar do protocolo de intenções e da estimativa de investimento, a instalação do centro ainda não está definitivamente aprovada. A companhia informa que uma eventual decisão de implantação dependerá de um acordo definitivo entre as partes, além das aprovações e licenças necessárias. Os aportes financeiros para construção e operação também ainda serão definidos caso o projeto avance.
