A Vale aposta no reaproveitamento de rejeitos como uma das estratégias para reduzir a quantidade de resíduos gerados pela mineração. A empresa já utiliza o material descartado para produzir novamente minério de ferro e pesquisa formas de recuperar outros minerais que podem estar presentes nesses rejeitos.
Em entrevista à 98 News durante a Exposibram 2026, Rafael Bittar, vice-presidente técnico da Vale, afirmou que a companhia produziu mais de 20 milhões de toneladas de minério de ferro a partir de rejeitos no ano passado. Para 2026, a expectativa é manter a produção em um patamar semelhante.
“É uma linha de pesquisa importante da companhia. A gente tem estudado os rejeitos para a produção de minério de ferro a partir de rejeito”, afirmou Bittar.
O executivo explicou que, além do reaproveitamento para a produção de minério de ferro, a Vale pesquisa a possibilidade de recuperar outros elementos. “A gente vem estudando os nossos rejeitos para outros minerais. Então a gente tem feito estudos e pesquisas em centros no Brasil e fora, buscando outros elementos, estudando terras raras, ouro, outros elementos que porventura possam gerar valor nos rejeitos.”
Para Bittar, o objetivo é fazer com que a mineração gere cada vez menos material descartado e aproveite melhor aquilo que já foi extraído. “A ideia da mineração do futuro é que a gente tenha uma mineração com cada vez menos rejeitos e desenvolva [produtos] e extraia outros minerais a partir dos rejeitos.”
Apesar das pesquisas, a Vale ainda não realiza a extração comercial de outros minerais a partir dos próprios rejeitos. Bittar ressaltou que esse trabalho ainda está em fase de estudos e que a empresa não tem, neste momento, uma definição sobre a viabilidade econômica dessas iniciativas.
“Hoje a gente não extrai outros elementos a partir dos nossos rejeitos. A gente ainda não tem isso. À medida que a gente vai avançando nos estudos e conheça os elementos que a gente tem, a gente pode pensar em como fazer esse negócio, seja a própria Vale, seja com parceiros”, explicou.
Um dos projetos mais avançados envolve os rejeitos de cobre da operação de Salobo, no Pará. A Vale estuda retirar minério de ferro desse material e já avançou para a etapa de engenharia conceitual.
“A gente tem um estudo bem avançado para ter minério de ferro magnetítico a partir do rejeito de cobre. A gente vem avançando no projeto de engenharia para fazer isso, mas ainda está num estágio inicial de engenharia”, disse Bittar.
A empresa também acompanha pesquisas que avaliam outras possibilidades de utilização dos rejeitos, como o uso de resíduos de cobre como complemento para determinados tipos de fertilizantes. Segundo Bittar, porém, a Vale não desenvolve atualmente uma iniciativa própria nessa área.
A busca por novas formas de aproveitamento também envolve parcerias com instituições de pesquisa. A companhia mantém o Colab, iniciativa de inovação desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com o objetivo de conectar pesquisadores e buscar soluções para desafios relacionados à reutilização de rejeitos.
Bittar afirmou ainda que a Vale vem estudando todo o conjunto de rejeitos da companhia para identificar materiais que possam ser recuperados e gerar valor. “A gente está estudando todo o nosso pool de rejeitos, seja rejeitos no Brasil, para estudar outros elementos que porventura possam ter e que acelerem essa linha de reprocessamento e reutilização de rejeitos.”
A estratégia faz parte de uma busca da companhia por uma mineração mais circular, com maior aproveitamento dos materiais e redução da quantidade de resíduos destinados ao descarte.
