Em entrevista ao programa Talks, da Rede 98, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) analisou as recentes movimentações econômicas e diplomáticas do governo de Donald Trump em relação ao Brasil. O parlamentar destacou que a redução de tarifas sobre produtos brasileiros, como a carne, responde a interesses internos dos Estados Unidos e negou que a suspensão de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes signifique uma mudança de percepção do governo americano.
Tarifas e inflação nos EUA
Eduardo Bolsonaro contextualizou a decisão de Donald Trump de reduzir tarifas sobre a carne brasileira como uma estratégia para conter a inflação norte-americana em um ano de eleições de meio de mandato. Segundo ele, a medida tarifar a carne brasleira visa baratear o produto para o consumidor local, fortalecendo a posição política de Trump.
“Como ele é presidente dos Estados Unidos, a gente espera que ele coloque o interesse do norte-americano em primeiro lugar”, afirmou Eduardo, ressaltando que o presidente Trump utiliza “alavancas” econômicas conforme a conveniência de suas negociações.
Questionado sobre a atuação para que o Brasil fosse sobretaxado pelos EUA, Eduardo disse que nunca pediu aplicação das tarifas ao produtos brasileiros.
“Eu não sou entusiasta, eu não sou a favor de tarifa, nunca pedimos tarifa a ninguém do governo dos Estados Unidos, mas quando é levado à mesa do presidente Trump, lhe é dado um cardápio de opções de quais alavancas ele deseja puxar”, argumentou.
Lei Magnitsky e Alexandre de Moraes
Um dos pontos centrais da entrevista foi a situação do ministro do STF, Alexandre de Moraes, no âmbito da Lei Magnitsky. Eduardo esclareceu que as sanções não foram canceladas definitivamente, mas sim suspensas por conveniência política internacional.
Razão da Suspensão: De acordo com o deputado, o Departamento de Estado americano busca aproximações ou acordos comerciais no momento, o que motiva a pausa na pressão.
Manutenção das Acusações: Eduardo enfatizou que os EUA não deixaram de considerar o ministro um “violador de direitos humanos”, mas que Trump “joga pesado” para sentar à mesa em posição confortável.
Fator Flávio Bolsonaro: O parlamentar mencionou que a candidatura de Flávio Bolsonaro é um fato novo que pode influenciar o retorno da aplicação da lei no futuro.
Críticas à oposição brasileira
O deputado lamentou que autoridades brasileiras de direita e a oposição ao governo Lula não tenham aproveitado o cenário de pressão externa para avançar com pautas legislativas internas. Eduardo defendeu que o momento deveria ter sido utilizado para intensificar a pressão sobre o Congresso Nacional, especialmente em relação à pauta da anistia.
A entrevista reforça a visão da família Bolsonaro de que as relações com o governo Trump seguem uma lógica de pragmatismo bilateral, onde a pressão política e as sanções econômicas funcionam como ferramentas de negociação internacional.