Diante de uma sucessão de tensões diplomáticas, comerciais e estratégicas, começa a se desenhar uma mudança de postura da Europa em relação aos Estados Unidos, na avaliação do cientista político Wilson Mendonça.
O debate sobre uma possível anexação ou compra da Groenlândia pelos EUA, envolvendo inclusive hipóteses de pressão militar, expõe a Europa a um cenário extremamente sensível e reforça a percepção de vulnerabilidade do bloco.
Segundo Mendonça, a Europa teria sido “excessivamente leniente com os Estados Unidos”, ao apostar na liderança de Donald Trump como garantidor da OTAN e da segurança europeia frente à guerra na Ucrânia. Essa expectativa frustrada mostra que o continente estaria, em grande medida, isolado e pressionado a rever seu tom diplomático e estratégico.
A imposição de tarifas por Washington contra países que não apoiam seus interesses geopolíticos, incluindo a questão da Groenlândia, surge, nesse contexto, como mais uma manobra que exige uma resposta europeia à altura. Alguns Estados-membros já sinalizam mudanças de discurso e discutem até a não aprovação de acordos com os EUA, em meio à chamada guerra tarifária.
Do ponto de vista brasileiro, o cenário pode acelerar as negociações entre Mercosul e a União Europeia, especialmente no que diz respeito a salvaguardas e prazos para redução de tarifas, com potenciais ganhos econômicos para ambos os lados, em especial para o Mercosul.
Mendonça também destaca que países como Rússia e China observam a crise no eixo EUA–Europa com certo otimismo estratégico, já que ela revela a maior fragilidade da OTAN desde sua criação, em 1949.
