O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro em um dos principais cenários da corrida presidencial de 2026. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10/6), Lula aparece com 39% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno, contra 29% de Flávio Bolsonaro. A diferença é de 10 pontos percentuais. Renan Santos e Ronaldo Caiado registram 3% cada, enquanto Aécio Neves e Romeu Zema aparecem com 2% cada. Os indecisos somam 10%.
A melhora do desempenho de Lula ocorre ao mesmo tempo em que o levantamento aponta desgaste para Flávio Bolsonaro em razão das revelações envolvendo o caso Banco Master. De acordo com a pesquisa, aumentou de 9% para 16% o percentual de brasileiros que acreditam que o escândalo afeta mais negativamente a família Bolsonaro. Além disso, a maioria dos entrevistados considera que Flávio errou ao pedir financiamento para um filme sobre Jair Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro. Para 58% dos entrevistados, a iniciativa sugere que o senador pode estar escondendo algum envolvimento ilegal no caso.
Na simulação de segundo turno, Lula também aparece à frente. O presidente tem 44% das intenções de voto, contra 38% de Flávio Bolsonaro, uma vantagem de seis pontos percentuais. Segundo a Quaest, a mudança mais significativa ocorreu entre os eleitores independentes, grupo que passou a demonstrar maior preferência por Lula. O levantamento também identificou perda de apoio de Flávio entre eleitores da direita não bolsonarista.
Entre os eleitores que se identificam com o bolsonarismo, Flávio mantém ampla fidelidade, com 94% das intenções de voto. Já entre os eleitores da direita não bolsonarista, o cenário é mais fragmentado: 11% declaram voto em Renan Santos, 10% em Lula e 6% em Ronaldo Caiado.
Disputa na direita
A pesquisa mostra ainda que os demais nomes da direita seguem com dificuldades para se tornar alternativas mais competitivas que Flávio Bolsonaro. Em simulações de segundo turno, Romeu Zema aparece dez pontos atrás de Lula, enquanto Ronaldo Caiado mantém distância semelhante nas últimas três rodadas do levantamento. Renan Santos apresentou crescimento e alcançou 31% em uma disputa direta contra o presidente, seu melhor desempenho na série histórica, mas ainda abaixo do registrado por Flávio.
Outro indicador favorável ao governo é a aprovação presidencial. Segundo a Quaest, 47% aprovam a gestão Lula, enquanto 48% desaprovam. O resultado representa uma leve melhora em relação às pesquisas anteriores.
Os pesquisadores atribuem o avanço de Lula a três fatores principais. O primeiro é o impacto contínuo da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. O segundo é a repercussão do novo Desenrola, que contribuiu para reduzir de 28% para 23% o percentual de brasileiros que afirmam ter muitas dívidas. Já aqueles que dizem não possuir dívidas passaram a representar 30% dos entrevistados. O terceiro fator apontado é o aumento da circulação de notícias positivas sobre o governo.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 120 municípios entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Aécio empata com Zema no governo de Minas
No levantamento, os mineiros também foram apresentados a cenários para a sucessão estadual. Um dos resultados que chamou atenção foi o empate entre Aécio Neves e Romeu Zema, ambos com 2% das intenções de voto no cenário nacional estimulado para a Presidência. O dado reforça a permanência de Aécio entre os nomes lembrados pelo eleitorado e indica que Zema ainda não conseguiu converter sua projeção como governador em vantagem eleitoral significativa em um cenário nacional.
