O presidente Lula afirmou que o aumento das apostas online tem impactado o orçamento das famílias brasileiras e classificou as chamadas bets como uma prática que “assalta” o povo. Ele também admitiu que o programa Desenrola Brasil não atendeu totalmente às expectativas do governo.
As declarações foram feitas em entrevista concedida aos sites Revista Fórum, Brasil 247 e Diário do Centro do Mundo.
Endividamento e apostas
Ao comentar o alto nível de endividamento no país, Lula afirmou que os hábitos de consumo da população mudaram nos últimos anos, com novas despesas no dia a dia — incluindo serviços digitais e compras online — e destacou o papel das apostas nesse cenário.
“As pessoas gastam R$ 300, R$ 400 por mês com internet, com um monte de coisa que tem que contratar. As pessoas gastam dinheiro com o Mercado Livre e agora tem as bets para saltar o povo. Nós que brigamos a vida inteira contra o Cassino, eu pelo menos como cristão, agora o Cassino está dentro da sua casa, está dentro da sua sala, está no celular do seu pai, no celular do seu avô, no celular da sua avó. Ou seja, induzindo as pessoas a fazer minhas postas, sabe, que não deveria acontecer.”.
Segundo ele, esse tipo de gasto tem contribuído para pressionar o orçamento das famílias brasileiras.
Desenrola não foi suficiente
O presidente também reconheceu que o Desenrola Brasil, programa criado para renegociação de dívidas, precisa ser aprimorado.
“Nós sabemos dessa situação, por isso nós estamos preparando um programa para reduzir parte da dívida das pessoas, como nós já fizemos no Desenrola, sabe, em 2024, ou seja, o Desenrola não atendeu todas as necessidades, mas nós agora queremos aperfeiçoar um programa para que a gente possa amenizar.”
Novo programa em preparação
Diante das limitações do Desenrola, Lula indicou que o governo prepara uma nova iniciativa para reduzir o endividamento da população.
A proposta deve incluir uma nova rodada de renegociação de dívidas, com possibilidade de descontos de até 90% nos valores devidos. A expectativa é alcançar cerca de 63 milhões de chefes de família inscritos em programas sociais federais.
Durante a entrevista, Lula também fez referências à própria fé cristã. Dados de pesquisas da Quaest indicam que, em 2025, cerca de metade dos brasileiros que se declaram católicos aprovavam o governo, enquanto a maioria dos evangélicos demonstrava desaprovação.
