O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta terça-feira (13/10), que a pressão popular e as manifestações nas ruas contribuíram para a mudança de posição do Partido Liberal (PL) sobre o fim da escala de trabalho 6×1. A declaração foi feita durante o anúncio de medidas para microempreendedores individuais (MEIs), no Palácio do Planalto, em Brasília.
Lula se referia à decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, de declarar apoio à proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim do modelo de seis dias de trabalho para um de descanso. Nos últimos dias, Flávio havia classificado a iniciativa apoiada pelo governo como oportunista e defendido maior flexibilidade na organização das jornadas.
Ao comentar o assunto, Lula reconheceu que as ações do governo geram questionamentos durante o período eleitoral, mas defendeu que as cobranças da sociedade sejam ouvidas.
“É um momento sempre muito difícil, porque estamos em época de eleição e tudo que você vai fazer, sabe, tem barulho. Mas é o seguinte, nós temos ouvido. É para ouvir barulho mesmo. Nós não queremos ser surdos, nós queremos ouvir o barulho”, afirmou.
O governo Lula busca acelerar a tramitação para concluir a análise antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
Ao encerrar a fala sobre a pressão política e as demandas populares, Lula afirmou que continuará defendendo medidas que, na avaliação dele, atendam aos interesses da população brasileira.
“Se todo mal que eu causar a esse país for fazer a direita avançar e atender os interesses do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo isso”, disse.
Flávio Bolsonaro aponta ressalvas à proposta
Ao anunciar que votará a favor da PEC, Flávio Bolsonaro afirmou que é importante considerar a vontade da maioria dos trabalhadores, mas levantou dúvidas sobre como a mudança seria aplicada em diferentes situações, como no trabalho remoto e na rotina de mães que conciliam o emprego com os cuidados dos filhos.
O senador também defendeu que o governo federal compense os empregadores pelos custos relacionados à redução da jornada e alertou para o risco de aumento da informalidade.
A proposta prevê substituir o modelo de seis dias de trabalho e um de descanso por uma jornada de cinco dias de trabalho e dois de folga. O texto está na pauta do Senado nesta semana.
Para ser aprovada, a PEC precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores, em dois turnos de votação.
