O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a colocar a Groenlândia, território semiautônomo da Dinamarca, no centro de uma polêmica diplomática ao justificar seu interesse estratégico com argumentos de segurança nacional. Trump afirma que o controle da ilha, situada no Ártico, é vital para enfrentar ameaças geopolíticas e proteger rotas e sistemas de defesa contra China e Rússia.
Nos Estados Unidos, apoiadores da iniciativa reforçam que a Groenlândia é essencial para a segurança e que o país precisa dela “imediatamente”, enquanto críticos alertam para os riscos de um confronto com aliados históricos.
A situação acende um alerta geopolítico e expõe uma situação inédita dentro da OTAN, segundo o cientista político Wilson Mendonça. “Nunca se imaginou a possibilidade de dois membros da mesma aliança de defesa rivalizarem, a ponto de se discutir se o Artigo 5º poderia ou não ser acionado”, afirma.
Para Mendonça, o movimento também pode beneficiar atores externos à aliança, como a Rússia. Ele reconhece fundamentos estratégicos no discurso norte-americano, especialmente pela posição da Groenlândia no Ártico, estratégica para sistemas de defesa balísticos e mísseis de alcance continental.
O analista lembra que a possibilidade de compra do território já foi descartada e alerta para as implicações de longo prazo.
“Não deixa de ser mais um ato de violação de soberania, que não pode ser justificado nem pelo combate ao narcotráfico, nem pelo discurso de restabelecimento da democracia”, conclui.
