Entrando no último ano da gestão Romeu Zema (Novo), o Governo de Minas Gerais aposta na consolidação fiscal e na privatização da Copasa para alavancar investimentos em 2026. Em entrevista exclusiva à 98 News nesta sexta-feira (16/01), o vice-governador Mateus Simões (PSD) detalhou como o estado pretende aplicar recursos do Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados) e comentou sobre os embates com o TCE (Tribunal de Contas do Estado).
Mesmo com um orçamento sancionado prevendo déficit de R$ 5,2 bilhões, Simões demonstrou otimismo com a capacidade de investimento do estado, contrastando a gestão mineira com a federal.
“A gente, ao longo desses últimos 7 anos de governo, tem tido ano a ano melhoras que são muito evidentes. Na hora, na gestão do caixa e, portanto, na execução depois de investimentos. Diferente do que o Governo Federal parece achar, né? O Governo Federal trata o dinheiro de uma outra forma. Mas a gente aqui aprendeu, porque a gente entende um pouquinho de conta, que se você quer gastar num ano, você precisa economizar no ano anterior”, afirmou o vice-governador.
Infraestrutura e privatização da Copasa
Segundo Simões, a adesão ao Propag e a expectativa de venda da Copasa impõem ao estado uma obrigação legal de aumentar os aportes em infraestrutura.
“Para esse ano nós temos de fazer um investimento adicional de mais de 1 bilhão de reais além daquilo que foi gasto no ano passado”, explicou. Ele citou obras estratégicas, como a expansão do metrô e a duplicação na região histórica: “Nós assinamos essa semana, por exemplo, a concessão finalmente, o contrato final da Ouro Preto, Mariana. Duplicação de Belo Horizonte, Ouro Preto, Mariana. Requalificação de Mariana até Ponte Nova”.
Sobre a operacionalização dos recursos, Simões revelou a estratégia contábil adotada para cumprir os prazos do Propag junto à União até o final de janeiro, enquanto aguarda o leilão da companhia de saneamento.
“Eu já estou com investimentos em infraestrutura para serem entregues ao Governo Federal que somam 1 bilhão e 100 milhões de reais. […] Mas além disso, na hora que a gente tiver a venda da Copasa, que tá toda organizada para acontecer em março, nós vamos ter mais 1 bilhão e meio de reais de investimentos”, detalhou.
Críticas ao TCE
Um ponto de tensão abordado na entrevista foi a relação com os órgãos de controle. Recentemente, o governo enfrentou suspensões em projetos como as escolas cívico-militares e o projeto “Somar”. Simões criticou o que chamou de interferência política em decisões administrativas.
“Qual é o papel do tribunal em impedir que a gente consulte os pais sobre se eles querem a transformação das escolas dos seus filhos em escolas cívicos cívico-militares? Assim, a troco de que o tribunal faz isso e usando qual poder o tribunal faz isso? Impedir uma consulta?”, questionou.
O vice-governador defendeu o controle externo, mas apontou excessos: “Essa politização do ambiente do controle de contas é muito ruim. Não é ruim só em Minas, não. […] Ele precisa sim controlar as contas, é importantíssimo. Eu sou um grande defensor do controle externo, mas ele não pode entrar na esfera política nem começar a tomar decisão administrativa”.
Simões atribuiu parte das dificuldades ao déficit de conselheiros no TCE — há três vagas em aberto — e disse esperar que a situação se normalize com as novas nomeações.
‘Sair da frente’ para crescer
Questionado sobre o desenvolvimento econômico e o programa “Minas Livre Para Crescer”, Simões resumiu o papel do Estado em três pilares: infraestrutura, formação de mão de obra e desburocratização.
“A terceira coisa que o governo pode fazer é o que eu carinhosamente falo, é sair da frente. Tá certo? É parar de atrapalhar. Porque o governo atrapalha muito quem pretende empreender no Brasil”, disse.
Ele citou o exemplo de Ouro Branco para ilustrar a mudança de mentalidade na fiscalização de obras: “Não adianta fazer fiscalização de papel. A gente tem que fazer fiscalização física. Tira o cara que você pôs no gabinete para ficar fiscalizando o papel, que não significa nada, e manda ele lá olhar a obra”.
Eleições 2026: busca pela unificação da Direita
Visando a sucessão estadual, Mateus Simões, que deve assumir o governo em abril com a desincompatibilização de Zema, confirmou as articulações para criar uma frente ampla de centro-direita. O objetivo é vencer o pleito em turno único.
“Hoje já somos nove partidos reunidos […] já representando mais de 40% do tempo de TV, mais de 30% das bancadas estadual e federal”, contabilizou.
O foco agora é atrair o PL e o Republicanos. “Eu continuo com conversas muito intensas com PL e também com Republicanos. Porque eu entendo que ter Nikolas [Ferreira] e toda a bancada do PL comigo, ter Cleitinho e todos os deputados e lideranças do Republicanos comigo, acaba de fechar a direita no estado. E isso significaria uma candidatura única de centro-direita em Minas Gerais para que a gente tivesse uma eleição de turno único, negando ao PT um palanque de segundo turno em Minas Gerais”, concluiu.
