O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, afirmou nesta terça-feira (09/6) que o combate ao crime organizado no Brasil depende de duas frentes principais: a asfixia financeira das facções e a interrupção da comunicação entre líderes criminosos que estão no sistema prisional.
Durante audiência na Câmara dos Deputados, o ministro disse que a estratégia do governo busca atingir diretamente a estrutura de comando das organizações criminosas.
“Uma coisa é fato. Em relação ao combate ao crime organizado, não há como fugir da evidência de que a asfixia financeira é uma necessidade premente. Isso parece ser um consenso entre especialistas, operadores e experiências internacionais”, afirmou.
Segundo Wellington Lima e Silva, o objetivo é ampliar o compartilhamento de informações entre órgãos de inteligência financeira, fiscal e policial para identificar e bloquear recursos utilizados por facções criminosas.
“É colocar as áreas de inteligência financeira e fiscal sentadas na mesma mesa para cruzar dados, estabelecer diagnósticos e combater o crime organizado através do princípio de seguir o dinheiro e tirar o oxigênio dessas organizações”, explicou.
Presídios viraram escritórios do crime, diz ministro
O ministro também apontou o sistema penitenciário como um dos principais desafios da segurança pública.
Segundo ele, muitas lideranças continuam comandando atividades criminosas mesmo após serem presas.
“Não há possibilidade de um combate efetivo e sério ao crime organizado com esse tipo de situação, porque o presídio vira escritório do crime. Dali partem ordens, estratégias são definidas e redefinidas e a comunicação não cessa em nenhum minuto”, afirmou.
Para enfrentar o problema, o governo pretende ampliar a utilização de tecnologias para localizar e retirar celulares de dentro das unidades prisionais.
Mais de 700 celulares apreendidos recentemente
Wellington Lima e Silva citou operações recentes realizadas pelo governo federal para localizar aparelhos usados por detentos.
Segundo ele, uma ação nacional realizada na última semana resultou na apreensão de 680 celulares em presídios brasileiros.
Além disso, uma operação realizada nesta semana em uma unidade prisional de Mato Grosso do Sul encontrou 98 aparelhos.
“Ontem foram apreendidos 98 celulares em uma única unidade prisional. Na operação nacional da semana passada foram retirados 680 aparelhos em apenas cinco dias úteis”, afirmou.
O ministro explicou que o governo está adquirindo equipamentos capazes de identificar celulares escondidos em paredes, estruturas de concreto e até desligados.
“Esses equipamentos identificam a presença dos telefones mesmo que estejam dentro de paredes, enterrados ou desligados. Nós localizamos e retiramos esses aparelhos”, disse.
Segundo Wellington Lima e Silva, interromper a comunicação das lideranças criminosas é uma das medidas consideradas fundamentais para reduzir a influência das facções sobre os crimes praticados fora dos presídios.