O ministro Kassio Nunes Marques afirmou nesta quinta-feira (17/9) que “não é preciso aumentar o tom para ser ouvido” e que “a delicadeza e a gentileza também têm força”. A declaração ocorre dois dias depois de uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) marcada por discussões e trocas de acusações entre ministros.
Nunes Marques fez a afirmação durante sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Corte que preside. O comentário ocorreu em um discurso de despedida ao ministro Antônio Carlos Ferreira, que participa de sua última sessão no tribunal.
Ao homenagear o colega, Nunes Marques comparou o perfil de Antônio Carlos Ferreira à bossa nova.
“A bossa nova nos ensina que a elegância é avessa ao excesso, que não é preciso aumentar o tom para ser ouvido e que a delicadeza e a gentileza também têm força”, afirmou.
O ministro não mencionou diretamente as discussões recentes no Supremo. A declaração, no entanto, é a primeira manifestação pública de Nunes Marques desde a sessão extraordinária de terça-feira (15/9).
Embates no Supremo
Na terça-feira, o STF se reuniu para discutir procedimentos relacionados às investigações do caso Master. A sessão teve uma série de divergências entre os ministros e terminou sem uma definição após pedido de vista de Flávio Dino.
Nunes Marques chegou a participar do início da sessão, mas se declarou impedido de atuar no julgamento. O ministro afirmou que, como presidente do TSE, deveria preservar a neutralidade da Justiça Eleitoral diante de um caso que, na avaliação dele, poderia produzir reflexos no processo eleitoral de 2026.
Após deixar o julgamento, a sessão continuou com discussões entre os ministros. Entre os momentos de maior tensão esteve um embate entre Gilmar Mendes e André Mendonça durante a análise dos procedimentos relacionados ao caso Master.