O ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais e pré-candidato ao Governo do Estado pelo PSB, Jarbas Soares Júnior, criticou a condução das negociações do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e afirmou que disputas políticas prejudicaram Minas Gerais durante as conversas com o governo federal.
A declaração foi dada nesta segunda-feira (08/6), durante entrevista ao programa 98 Talks, da 98 News.
Segundo Jarbas, o estado poderia ter alcançado condições mais favoráveis caso as negociações não tivessem sido impactadas por divergências políticas entre o governo estadual e a União.
“A mesa de negociação era muito ruim”
Ao comentar o cenário fiscal de Minas Gerais, Jarbas afirmou que a relação entre o ex-governador Romeu Zema (Novo) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acabou contaminando as negociações.
“O Propag definiu que Minas tem que pagar. Nós temos um valor fixo. O que aconteceu no Propag? Por que não foi melhor? Até o ministro Haddad falou isso essa semana. A mesa de negociação era muito ruim. No acordo de Mariana também. Porque o governador provocava o presidente da República e a mesa ficava contaminada”, afirmou.
Segundo ele, o ambiente político acabou dificultando avanços em pautas importantes para o estado.
“O que eu senti foi o seguinte: ‘eu não vou facilitar a vida do Zema’. Isso prejudicou o resultado do Propag. Mas nós estamos com a dívida equacionada”, disse.
Nova negociação
Apesar das críticas, Jarbas afirmou que considera possível reabrir discussões sobre as condições da dívida mineira junto ao governo federal.
“Nós temos que ser o candidato a presidente da República que faça compromissos com Minas Gerais. Um deles é negociar novamente o Propag, que estava contaminado pela política”, declarou.
O pré-candidato também questionou a cobrança de juros sobre as dívidas estaduais.
“Correção monetária é uma coisa razoável. Agora, juros? Não tem sentido um estado cobrar juros de outro estado. Esse é um dos pontos que nós temos que conversar”, afirmou.
“Minas não é um estado qualquer”
Jarbas demonstrou otimismo em relação à situação financeira do estado e citou recursos provenientes dos acordos de Brumadinho e Mariana, além da privatização da Copasa e de investimentos federais em infraestrutura.
“Temos 80% do acordo de Brumadinho que ainda não foi executado. Temos o acordo de Mariana, que envolve dezenas de bilhões de reais. Temos recursos da Copasa. Se juntar tudo isso, dá um governo de JK”, afirmou.
Para ele, Minas Gerais precisa recuperar a capacidade de atrair investimentos e aproveitar oportunidades econômicas.
“Estamos em dificuldade? Estamos. Mas estamos falando de Minas Gerais. Minas Gerais não é um estado qualquer. É um grande estado. Nós precisamos trazer de volta para Minas o otimismo, para as pessoas investirem aqui, para os grandes empreendimentos chegarem ao estado”, disse.
Críticas à perda de oportunidades
Durante a entrevista, Jarbas também afirmou que Minas perdeu espaço em disputas por investimentos federais ao longo dos últimos anos.
“Enquanto São Paulo está fazendo túnel entre Santos e Guarujá, está discutindo trem para Campinas, nós estamos aqui tentando duplicar um viaduto do Anel Rodoviário. A realidade é essa”, declarou.
Segundo ele, um eventual governo precisará ampliar a interlocução com Brasília para buscar recursos e projetos para o estado.
“O grande papel do gestor é pegar oportunidades. Nós temos que acampar em Brasília, ter um bom escritório lá, buscar aquilo que é direito de Minas Gerais. Não queremos tirar nada de nenhum estado, queremos apenas buscar aquilo que pertence a Minas”, concluiu.