A Polícia Federal deflagrou nessa quarta-feira (1º) a Operação Exfil para investigar um esquema de acesso ilegal e vazamento de dados sigilosos de autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal e integrantes da Procuradoria-Geral da República. A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
Acesso ilegal a dados fiscais
Segundo as investigações, o grupo teria realizado acessos indevidos a sistemas da Receita Federal do Brasil, com posterior vazamento das informações.
Foram identificados dados de 1.819 contribuintes, incluindo autoridades e pessoas ligadas a integrantes do STF, além de políticos e empresários.
Empresário é apontado como mandante
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo ligados ao empresário Marcelo Paes Fernandez Conde, apontado como principal articulador do esquema.
A Justiça também determinou sua prisão preventiva, mas ele é considerado foragido.
Estrutura organizada
As apurações indicam uma cadeia estruturada de obtenção de dados, envolvendo:
- servidores públicos com acesso aos sistemas
- funcionários terceirizados
- intermediários responsáveis pela negociação das informações
De acordo com a investigação, listas de CPFs eram fornecidas para extração de dados, com pagamentos em dinheiro para obtenção das declarações fiscais.
COAF também foi alvo
Além da Receita Federal, há indícios de que sistemas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras também foram acessados de forma irregular.
Decisão de Moraes
Na decisão, o ministro destacou que as buscas são necessárias para identificar a extensão do esquema e outros possíveis envolvidos. “A apreensão de dispositivos eletrônicos revela-se medida indispensável”, aponta o relatório acolhido pelo relator.
A autorização inclui a quebra de sigilo telemático dos materiais apreendidos, com análise de mensagens e registros digitais.
Investigação segue sob sigilo
O material recolhido será periciado pela Polícia Federal. O caso tramita sob sigilo, com o objetivo de preservar provas e aprofundar a identificação dos envolvidos.
