O gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli divulgou, nesta quinta-feira (12/2), uma em que confirma participação societária na empresa Maridt e nega qualquer relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no inquérito que apura fraudes no Banco Master, posteriormente liquidado pelo Banco Central.
A manifestação ocorre após a Polícia Federal encaminhar ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, pedido para que seja analisada a permanência de Toffoli na relatoria do inquérito. A corporação informou ter localizado menção ao nome do ministro em mensagem no celular de Vorcaro, apreendido durante busca e apreensão. O conteúdo está sob segredo de Justiça. Fachin abriu procedimento interno para avaliar o caso e notificou Toffoli para apresentar defesa.
No comunicado, o gabinete informa que a Maridt é uma empresa familiar constituída como sociedade anônima de capital fechado, nos termos da Lei 6.404/1976, devidamente registrada na Junta Comercial e com entrega regular de declarações à Receita Federal. Segundo a nota, tanto as declarações da companhia quanto as de seus acionistas “sempre foram devidamente aprovadas”.
Toffoli integra o quadro societário da empresa, mas, de acordo com o texto, a administração é exercida por parentes do ministro. O gabinete ressalta que a Lei Orgânica da Magistratura (Lei Complementar 35/1979) permite que magistrados participem de sociedades empresariais e recebam dividendos, vedando apenas a prática de atos de gestão, o que, segundo a nota, não ocorre no caso.
A empresa fez parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A saída, conforme descrito, ocorreu em duas etapas: a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a alienação do saldo remanescente à PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025. O gabinete afirma que todas as operações foram realizadas a valor de mercado e devidamente declaradas à Receita Federal, “sem nenhuma restrição”.
A nota também destaca que a ação relacionada à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao ministro em 28 de novembro de 2025, quando a Maridt já não integrava o grupo Tayaya Ribeirão Claro.
Por fim, Toffoli afirma que desconhece o gestor do Fundo Arllen e que jamais manteve relação de amizade, “muito menos amizade íntima”, com Daniel Vorcaro. O ministro declara ainda que nunca recebeu qualquer valor de Vorcaro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel.
