O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana, afirmou nesta terça-feira (17) que não há qualquer indício de repasse de recursos à Igreja Lagoinha e anunciou que vai solicitar a quebra de sigilo fiscal de Fabiano Zettel para aprofundar as investigações. Relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou que o empresário e pastor Fabiano Zettel movimentou R$ 99,2 milhões em apenas sete meses, valor considerado incompatível com a renda mensal declarada por ele, de R$ 66 mil.
Durante entrevista coletiva, Viana disse que, até o momento, não há evidências que liguem a instituição religiosa aos valores investigados.
“Todos os sigilos bancários das pessoas investigadas foram quebrados e estão à disposição daqueles que estão fazendo os requerimentos. Não há até o momento qualquer ligação de que a igreja tenha recebido o dinheiro do INSS. Há um relacionamento de um pastor que tinha uma igreja separada, CNPJ separado e que estava numa ligação com o Master e que tem que dar explicações e já foi convocado e eu espero que ele venha.”
Pedido de quebra de sigilo será apresentado
O senador afirmou que pretende ampliar o acesso a dados para dar continuidade às apurações. “Também na próxima quinta-feira, vou colocar um requerimento de pedido de informações de compartilhamento da quebra de sigilo fiscal do senhor Fabiano Zetel, a CPMI do crime organizado. Esse material ficará também à disposição dos parlamentares para toda e qualquer tipo de investigação.”
Comissão cita risco com vazamentos
Viana também criticou o vazamento de informações sigilosas de Daniel Vorcaro, banqueiro do Master, e alertou que isso pode comprometer o andamento do processo.
“Infelizmente, existiram tentativas e vazamentos de algumas informações que deveriam permanecer apenas no âmbito da investigação e informações particulares ligadas à quebra de sigilo do senhor Daniel Voccaro que poderiam inviabilizar as provas.”
Segundo o parlamentar, a prioridade é preservar o material coletado para evitar questionamentos jurídicos futuros. “E o mais importante nesse momento é nós preservarmos todo esse material para que o inquérito corra, a investigação seja feita e na possibilidade de uma condenação nenhuma prova seja anulada pela defesa do senhor Vorcaro.”
