Os protestos contra o alto custo de vida e por melhorias na educação reuniram cerca de 550 mil pessoas na França neste sábado (17). Segundo o Ministério do Interior, as manifestações deixaram ao menos 60 policiais feridos e resultaram na prisão de aproximadamente 400 pessoas em todo o país.
Em Paris, cerca de 110 mil manifestantes ocuparam as ruas centrais da capital sob forte esquema de segurança. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, atribuiu a onda de violência a grupos de extrema-esquerda e denunciou uma ação orquestrada para depredar e invadir prédios públicos. Portanto, o clima na capital francesa permaneceu tenso durante todo o dia.
Diante do rastro de destruição, o presidente francês Emmanuel Macron prometeu punir rigorosamente os responsáveis pelos atos de vandalismo. O líder alertou que o governo atuará firmemente contra grupos que buscam desestabilizar as instituições e comprometer o direito aos protestos pacíficos.
Origem do movimento e críticas à atuação policial
A atual onda de mobilizações começou no mês passado em escolas públicas da periferia de Paris, onde estudantes reivindicavam mais docentes e infraestrutura. Entretanto, o movimento rapidamente ganhou força e passou a contestar a desigualdade social, a inflação e a perda do poder de compra.
A escalada do conflito também ampliou as críticas à conduta das forças de segurança durante as operações de dispersão. Órgãos de fiscalização investigam ao menos 24 denúncias de abuso policial, incluindo o caso de um jovem que teve a mão amputada ao manusear uma granada de efeito moral.
A insatisfação popular ganhou ainda a adesão de integrantes dos “coletes amarelos”, grupo de protesto surgido em 2018. Com a união de diferentes categorias profissionais, as passeatas deste fim de semana se consolidaram entre as mais violentas registradas nos últimos anos na França.
Ataques a prédios públicos
Na cidade de Angers, manifestantes invadiram a prefeitura e a sede do governo regional, provocando um princípio de incêndio contido por funcionários. A administração municipal classificou o episódio como de extrema gravidade e repudiou os ataques contra o patrimônio público.
Em Toulouse, o protesto descambou para saques a comércios, montagem de barricadas e incêndios em lixeiras. O confronto entre a polícia e os manifestantes deixou lideranças sindicais feridas e gerou uma troca de acusações políticas entre autoridades locais e organizadores do ato.
Na capital, Paris, e na cidade de Marselha, o cenário também foi marcado por forte tensão e bloqueios de vias expressas. Em Marselha, manifestantes vandalizaram a sede da prefeitura, o que levou o governo federal a anunciar o envio imediato de reforços policiais à região.
Tensão semelhante ocorreu em outros importantes centros urbanos do país, como Lille, Lyon, Nantes e Rouen. Nessas localidades, além disso, forças policiais utilizaram gás lacrimogêneo e jatos d’água para conter saques a estabelecimentos comerciais e dispersar a multidão.
Manifestações se espalham pela Europa
A insatisfação com o encarecimento da vida e a degradação dos serviços públicos ultrapassou as fronteiras francesas e atingiu outros países europeus. Em Portugal, dezenas de milhares de pessoas marcharam em Lisboa para contestar a disparada nos preços dos aluguéis e imóveis.
Na Espanha, grandes mobilizações contra a crise habitacional e o custo de moradia aumentaram a pressão política sobre o governo local. Os manifestantes cobram medidas urgentes de regulação imobiliária e reajustes salariais incompatíveis com os atuais custos de vida.
Na Itália, manifestantes e forças policiais protagonizaram confrontos violentos na praça da catedral de Milão e em Bolonha durante atos contra a inflação. A polícia italiana utilizou gás lacrimogêneo e jatos d’água após os manifestantes atirarem pedras contra os agentes, o que forçou o fechamento de comércios e estações de metrô.
A Bélgica também registrou episódios de turbulência em Bruxelas, onde centenas de jovens protestaram contra o encarecimento das taxas do ensino superior. Por outro lado, a manifestação resultou em confrontos diretos com a polícia local, veículos tombados e dispersão por jatos de água.
Por fim, o cenário europeu reflete uma crise social profunda e generalizada diante do elevado custo de vida no continente. Com governos sob forte pressão econômica e política, a previsão é de que novos atos voltem a ser convocados pelas redes sociais nos próximos dias.
