O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (1/4) que avalia retirar o país da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A declaração ocorreu em meio às críticas do governo norte-americano contra os aliados europeus. Eles são acusados por Washington de não auxiliarem os estadunidenses no conflito militar contra o Irã.
Durante uma entrevista ao jornal britânico “The Telegraph”, o líder norte-americano voltou a classificar a aliança militar como um “tigre de papel”, uma expressão utilizada para definir algo que aparenta ser ameaçador, mas possui fragilidade na prática. Questionado se reconsideraria a permanência na organização após a guerra, Trump confirmou a possibilidade e afirmou que nunca foi convencido pela efetividade do grupo. Horas depois, ele reiterou à agência de notícias Reuters que estuda a saída da aliança.
Impasse no Estreito de Ormuz
A insatisfação da Casa Branca está atrelada, portanto, à recusa de diversos países da Otan em enviar navios de guerra para reabrir o Estreito de Ormuz. A rota é uma via essencial para o comércio mundial de petróleo e foi fechada pelo Irã no início do conflito. Consequentemente, o governo dos Estados Unidos passou a questionar a posição da Europa como parceira de defesa.
Apesar das cobranças, a Otan declarou que já trabalha na formação de uma coalizão internacional para tentar desobstruir a passagem marítima. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, defendeu a entidade durante uma coletiva de imprensa realizada também nesta quarta-feira. Ele ressaltou que a organização manteve a segurança do continente durante décadas.
Por fim, Starmer adiantou que o governo britânico liderará, ainda nesta semana, uma reunião com os países interessados em contribuir para a reabertura do Estreito de Ormuz. No entanto, o primeiro-ministro estabeleceu limites para a atuação europeia. Dessa forma, ele reafirmou que a guerra contra o Irã não pertence ao Reino Unido e garantiu que a nação não integrará o conflito de forma direta.
