Quem faz uso da caneta emagrecedora e também aplica toxina botulínica já deve ter ouvido — ou até sentido — que o botox “dura menos” durante o tratamento para emagrecer. Mas será que a semaglutida realmente interfere no resultado do procedimento estético?
Segundo especialistas ouvidos pela Rede 98, não há comprovação científica de que os análogos de GLP-1 reduzam diretamente a eficácia do botox. O que existe, até o momento, é observação clínica — e uma explicação que tem mais a ver com a transformação do rosto do que com a duração da toxina.
O que a ciência diz sobre caneta emagrecedora e botox?
A dúvida é legítima: afinal, muitos pacientes relatam que o efeito da toxina botulínica parece menor enquanto usam medicamentos como semaglutida ou liraglutida. Mas, de acordo com o médico dermatologista Lucas Miranda, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e fundador da Clínica Lucas Miranda, em Belo Horizonte, essa percepção ainda não encontra respaldo em estudos controlados.
“Até o momento, não há evidência científica robusta que comprove que os análogos de GLP-1 reduzam diretamente a eficácia da toxina botulínica tipo A. O que existe é, predominantemente, observação clínica”, afirma Lucas Miranda.
Por que o rosto parece diferente depois da caneta emagrecedora?
Esse é o ponto que mais gera confusão — e que ajuda a entender por que tantas pessoas acreditam que o botox “parou de funcionar”. A perda de peso acelerada provocada pelas canetas emagrecedoras não acontece apenas no corpo: o rosto também perde gordura, e isso muda a estrutura facial.
“A perda de gordura facial induzida pelos análogos de GLP-1 pode levar a uma redução do suporte estrutural da pele, evidenciando rugas estáticas e flacidez. Não é necessariamente o botox que ‘durou menos’, mas sim o rosto que mudou”, explica Lucas Miranda.
Ou seja, o surgimento de novas rugas e a aparência de flacidez podem ser confundidos com perda de efeito da toxina botulínica, quando na verdade o que ocorreu foi uma mudança anatômica.
É preciso pausar a caneta emagrecedora antes de aplicar botox?
Essa é uma das perguntas mais comuns nos consultórios de dermatologia em BH — e a resposta tende a tranquilizar. Segundo o biomédico Thiago Martins, mestre em Medicina Estética e professor universitário, não existe interação farmacológica conhecida entre os dois tratamentos que justifique a suspensão do medicamento.
“De modo geral, não é necessário suspender o uso de análogos de GLP-1 antes da aplicação de toxina botulínica”, afirma Thiago Martins. No entanto, o especialista ressalta que o dermatologista deve avaliar o estado nutricional do paciente, o ritmo de perda de peso e possíveis alterações faciais em andamento.
Quais cuidados são recomendados para quem combina os dois tratamentos?
Embora a combinação seja considerada segura, os especialistas recomendam atenção a alguns pontos importantes:
- Avaliação individualizada: cada paciente responde de forma diferente ao emagrecimento, e o plano estético precisa acompanhar essas mudanças.
- Tratamentos complementares: em alguns casos, bioestimuladores de colágeno ou preenchedores podem ser indicados para compensar a perda de volume facial causada pelo emagrecimento.
- Acompanhamento contínuo: manter consultas regulares com o dermatologista permite ajustar o protocolo estético conforme o corpo e o rosto se transformam ao longo do tratamento com GLP-1.
“O tratamento é seguro, mas deve ser individualizado, considerando as mudanças faciais do emagrecimento para alcançar um resultado harmônico e natural”, resume Thiago Martins.
