Reconhecida oficialmente pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) em 2025, a diabetes tipo 5 está associada à desnutrição crônica durante períodos fundamentais do desenvolvimento, como a gestação, a infância e a adolescência. Estimativas da entidade apontam que entre 20 milhões e 25 milhões de pessoas podem viver com a condição no mundo, principalmente em países de baixa e média renda.
Apesar de ter sido descrita pela primeira vez na década de 1950, a doença passou décadas sem reconhecimento oficial. No Brasil, começa a ser estruturado um rastreamento de casos, inicialmente nas regiões Norte e Nordeste, devido aos maiores índices de insegurança alimentar.
A iniciativa envolve uma colaboração entre a IDF, a Sociedade Brasileira de Diabetes e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
Segundo Suelem Mol, endocrinologista e professora do curso de Medicina do UniBH e da Inspirali, a diferença em relação aos tipos mais conhecidos de diabetes está principalmente na origem da doença.
“O diabetes tipo 5 foi denominado assim recentemente, e esse nome substitui o antigo diabetes relacionado à desnutrição. No tipo 1, existe uma destruição do pâncreas por um processo autoimune. No tipo 2, existe uma insuficiência de produção de insulina pelo pâncreas, dada uma condição que na maioria das vezes está ligada à obesidade. No tipo 5, o pâncreas não se desenvolveu adequadamente”, explica.
Como a desnutrição afeta o organismo?
A deficiência nutricional prolongada pode comprometer o desenvolvimento do pâncreas e reduzir a quantidade de células beta, responsáveis pela produção de insulina.
“A criança que não teve ganho de peso adequado na vida fetal ou na infância desenvolve poucas células produtoras de insulina, em quantidade insuficiente para garantir a insulina necessária ao longo da vida. Esse processo é mediado por mudanças na expressão genética de diversas células no desenvolvimento fetal e por alterações epigenéticas, que acontecem nos genes depois do nascimento”, afirma Suelem.
De acordo com a especialista, os efeitos da desnutrição podem permanecer no organismo por décadas, mesmo depois da recuperação nutricional.
Quando o diabetes já está instalado, os sintomas são semelhantes aos encontrados em outros tipos da doença. Entre eles estão sede, boca seca, fome, perda de peso, aumento da quantidade de urina e níveis elevados de glicose no sangue.
Há casos, porém, em que a doença é identificada mesmo sem a presença de sintomas.
Diagnóstico ainda é desafio para a medicina
O reconhecimento recente da diabetes tipo 5 também impõe desafios para o diagnóstico e o tratamento. Até recentemente, não havia critérios padronizados para identificar a condição, o que pode ter levado pacientes a receber tratamentos que não atendiam às características específicas da doença.
Com o reconhecimento oficial em 2025, a Federação Internacional de Diabetes criou um grupo internacional de trabalho para desenvolver critérios de diagnóstico, protocolos terapêuticos e um registro global de pacientes.
A iniciativa também pretende esclarecer questões ainda em aberto, como a prevalência da diabetes tipo 5, as características clínicas da condição e quais estratégias de tratamento apresentam melhores resultados.