O Leqembi recebeu sinal verde da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e será usado no combate ao Alzheimer no Brasil. O registro do Leqembi (lecanemabe), da farmacêutica Eisai, foi publicado no Diário Oficial e marca um avanço importante: diferentemente de terapias antigas que apenas amenizavam sintomas, este medicamento ataca o mecanismo da doença para desacelerar sua progressão.
O Leqembi é um anticorpo monoclonal, uma tecnologia biológica que age como um “faxineiro” no cérebro. Ele se liga às placas de proteína beta-amiloide — substância tóxica que se acumula e destrói neurônios — e aciona o sistema imunológico para removê-las.
Quem é o paciente ideal?
O tratamento não é uma cura e não serve para todos os estágios. A Anvisa foi específica ao autorizar o uso apenas para pacientes com diagnóstico em fase inicial (comprometimento cognitivo leve ou demência leve) e que tenham a confirmação da presença de placas amiloides no cérebro via exames (PET scan ou líquor).
Estudos com 1.795 voluntários mostraram que, após 18 meses, o medicamento reduziu o declínio cognitivo e funcional em comparação ao placebo. Ou seja, a doença continuou avançando, mas de forma significativamente mais lenta.
O custo e os riscos
A inovação tem barreiras altas. O tratamento exige infusões intravenosas a cada duas semanas em ambiente hospitalar ou clínica especializada. Além da logística, há o preço: nos EUA, o custo anual gira em torno de **US$ 26 mil** (cerca de R$ 140 mil), o que desafia sua incorporação imediata ao SUS.
A segurança também exige atenção rigorosa. O principal efeito colateral é a ARIA (Anormalidades de Imagem Relacionadas ao Amiloide), que pode causar inchaço ou sangramento cerebral. Por isso, pacientes que usam anticoagulantes ou possuem certas predisposições genéticas (alelo ApoE ε4 em homozigose) têm contraindicação.
