A primeira rodada do Brasileirão com as novas regras da CBF para reduzir a cera já mostrou aumento no tempo de bola rolando. Antes da implementação das regras, a média da competição era de 52min54s de bola em jogo, e a entidade estabeleceu como meta inicial elevar esse número para 57 minutos por partida.
Até o momento, nove jogos foram disputados pela rodada. Seis superaram a média anterior do campeonato, enquanto três já ultrapassaram a marca de 57 minutos estabelecida pela CBF. O confronto entre Athletico e Red Bull Bragantino registrou o maior tempo de bola rolando, com 60min18s, enquanto Vasco x Santos teve o menor índice, com 48min58s.
Ainda resta o duelo entre Internacional e Remo, marcado para esta segunda-feira (17/8).
As novas regras estabelecem limites para reposições, posse do goleiro, substituições e atendimentos médicos, além de prever punições em caso de descumprimento dos tempos determinados.
Tempo de bola rolando nos jogos da rodada:
- Athletico 1 x 1 Red Bull Bragantino: 60min18s
- São Paulo 1 x 1 Coritiba: 58min30s
- Atlético 3 x 0 Grêmio: 57min16s
- Corinthians 1 x 2 Cruzeiro: 56min57s
- Chapecoense 3 x 3 Bahia: 56min39s
- Mirassol 1 x 5 Flamengo: 55min43s
- Vitória 1 x 0 Botafogo: 52min45s
- Fluminense 3 x 2 Palmeiras: 52min12s
- Vasco 0 x 3 Santos: 48min58ss
Como funcionam as principais medidas anti-cera:
- Lateral: o jogador tem até cinco segundos para fazer a cobrança. Caso ultrapasse o limite, a posse passa ao adversário.
- Tiro de meta: o goleiro tem cinco segundos para fazer a reposição após o apito. Se exceder o tempo, é marcado escanteio para o adversário.
- Posse do goleiro: o goleiro pode permanecer com a bola nas mãos por até oito segundos. Após esse período, o adversário ganha um escanteio.
- Substituição: o jogador substituído tem 10 segundos para deixar o campo. Se fizer cera, o substituto precisa esperar um minuto para entrar.
- Atendimento médico: o jogador atendido em campo deve permanecer um minuto fora antes de retornar à partida.
- Atendimento ao goleiro: se o goleiro receber atendimento, um jogador de linha da mesma equipe também precisa deixar o gramado por um minuto.
Como as novas regras serão aplicadas no futebol brasileiro
As novas regras foram aprovadas na última segunda-feira (10/8), durante reunião da CBF com os 40 clubes das Séries A e B. Na ocasião, a entidade propôs a adoção imediata no futebol brasileiro das mudanças da IFAB que foram aplicadas na Copa do Mundo de 2026. A previsão inicial era que as alterações só fossem implementadas no país a partir de 2028. Segundo estimativa da FIFA, o novo conjunto de regras pode acrescentar até 5min49s de bola rolando por partida.
A maioria das medidas já foi utilizada no Mundial. A principal novidade no futebol brasileiro será a retirada temporária de um jogador de linha quando o goleiro receber atendimento médico. A regra não foi adotada na Copa do Mundo, mas também será implementada nas ligas da Inglaterra e da Espanha na próxima temporada. A arbitragem da CBF entende que atendimentos aos goleiros podem ser utilizados para retardar o reinício das partidas e até para permitir que treinadores passem instruções aos jogadores.
Nesses casos, o treinador terá 10 segundos para indicar qual jogador deixará o campo. Se não fizer a indicação, o capitão deverá sair assim que o atendimento começar. Caso o goleiro seja o capitão, um jogador será previamente sorteado para cumprir o período de um minuto fora do gramado.
Os clubes também aprovaram a chamada “Lei Vini Jr.”, que prevê a expulsão de jogadores que cubram a boca durante discussões com adversários.