O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou neste domingo (1/11), nas redes sociais, uma “Nota ao Brasil” em que critica a TV Globo e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, o senador deixou o país na terça-feira (27/10) e está nos Estados Unidos desde quarta (28/10).
Na nota, Flávio Bolsonaro afirma que recusou uma entrevista exclusiva à TV Globo porque a emissora não aceitou exibi-la na íntegra e sem cortes. Segundo ele, o Fantástico deste domingo vai exibir uma reportagem a seu respeito sem direito de resposta.
O senador também diz que as medidas cautelares contra ele saíram sete minutos após o resultado da eleição e que foi intimado 12 horas depois, ao deixar a casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após ser condenado pelo STF por suposta tentativa de golpe de Estado.
No fim do texto, Flávio Bolsonaro declara que “não sai do Brasil, sai pelo Brasil”, afirma que não se arrepende “de absolutamente nada” e anuncia que vai dar entrevistas a veículos nacionais e internacionais nos próximos dias.
Leia a nota na íntegra
NOTA AO BRASIL Fui procurado por vários veículos nesta semana, inclusive pela Rede Globo, que me convidou para uma entrevista exclusiva. Aceitei com uma condição simples: que fosse exibida na íntegra, sem cortes e sem temas proibidos. A emissora preferiu não seguir adiante. Pelo que tudo indica, o Fantástico deste domingo vai exibir uma longa reportagem a meu respeito, sem me dar o direito de resposta. Se o maior grupo de comunicação do Brasil está com MEDO, não tem a menor condição moral de me julgar ou tentar destruir minha reputação. Não sai do Brasil, sai pelo Brasil! Sonhei com a mudança do nosso país para melhor e, no domingo, apenas sete minutos após o anúncio do resultado das eleições já havia uma decisão judicial com medidas cautelares contra mim, com base em mentiras. Doze horas depois e no meio da rua, fui intimado do início da perseguição, ao deixar a casa do Presidente Bolsonaro. Tudo diante do olhar lacrimejado de um pai, com comorbidades, que está condenado a mais de 27 anos de prisão – sem ter cometido crime algum – e que já sofre pela distância de outro filho que não vê há mais de um ano e meio, em função da perseguição ilegal e arbitrária que também sofre. Isso não é democracia e está muito longe de ser um processo judicial justo e imparcial. Ao menos estou num país onde posso manifestar livremente minha opinião, não serei alvo de um juíz que acordou com vontade de fazer o mal e enviou a sua polícia à minha casa para revirar as calcinhas das minhas filhas na gaveta. Fui candidato à Presidência enfrentando todo um sistema que quer as coisas continuem como estão no Brasil: ótimas para eles, mas muito piores para você. Não me arrependo de absolutamente nada do que fiz e deixo uma reflexão: “Não há remédio eficaz no Brasil para cessar violações a Diretos Humanos.” (Cristiano Zanin, em 7/Ago/2016). Nos próximos dias, vou conversar com grandes veículos nacionais e internacionais. Sem cortes, sem filtro. Quem quiser ouvir, ouvirá o que ninguém mais pode dizer estando no Brasil.
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) November 1, 2026
Por que Flávio Bolsonaro deixou o país
A decisão que antecedeu a saída do senador foi tomada por Alexandre de Moraes em 25 de outubro, dia do segundo turno, a pedido da Polícia Federal (PF). O ministro determinou que Flávio Bolsonaro entregasse os passaportes e não saísse do Brasil, no inquérito que investiga o senador e o advogado Willer Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro. Flávio Bolsonaro nega irregularidades.
Dois dias depois, o senador deixou o país por terra rumo à Argentina, com a esposa e as duas filhas, e seguiu para Miami após uma escala no Equador. Segundo a PF, não há registro da saída nos postos oficiais de controle migratório.
A defesa de Flávio Bolsonaro pediu ao STF o afastamento de Alexandre de Moraes do caso e a revisão das medidas cautelares, ainda sem decisão até sábado (31). Deputados do PT, por sua vez, pediram a prisão preventiva do senador por ter deixado o país contra a ordem judicial. Uma eventual prisão depende de nova decisão do STF.
