O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participou de uma palestra em um evento de economia em São Paulo e abordou temas como política monetária, juros e endividamento das famílias brasileiras. Ele disse que o Brasil está mais para transatlântico do que jet-ski, fazendo referência a possibilidade de realização de manobras.
Entre os pontos discutidos, Galípolo destacou que o nível elevado da taxa básica de juros nos últimos meses abriu espaço para que o Banco Central começasse a calibrar a política monetária. Segundo ele, a chamada “gordura” acumulada com uma postura mais conservadora nas últimas reuniões do Copom permitiu iniciar ajustes na trajetória da Selic;
“A gente é mais transatlântico do que jet-ski, a gente não vai fazer movimentos bruscos, nem extremados. Por isso até que no RPM eu tomei o cuidado de dizer, a gente entende que a gordura permitiu a gente ganhar tempo, tomar tempo para ver, para entender, para aprender mais. Eu não usei propositalmente a palavra esperar, porque a gente queria ter mais coerência com a decisão que a decisão foi. Ganhar tempo significa que dá para a gente continuar na trajetória que a gente entendia, no plano que a gente tinha entendido, de iniciar o ciclo de calibragem da política monetária.”
Galípolo afirmou qu eo BC ainda avalia ainda que os impactos do conflito no exterior. Outro ponto abordado pelo presidente foi o endividamento da população e o uso do rotativo do cartão de crédito, que passou dos 450%. Segundo ele, parte dos brasileiros acaba tratando esse tipo de crédito como se fosse renda disponível, o que pode agravar a situação financeira das famílias.
“Mas você ter um produto, por exemplo, que tem 60% de inadimplência, ele tende a não ser bom nem para quem oferece, nem para quem toma. Acho que quando olhássemos até 40 milhões de pessoas físicas que tomam juros a 15% não ao ano, mas ao mês, que corresponde a esse tipo de linha, e que a população considere o rotativo como sendo uma fatia da renda disponível, acho bastante problemático do ponto de vista estrutural e o que demanda a gente conseguir pensar em estruturas que consigam endereçar isso.”
Ele também destacou que choques sucessivos no custo de vida ajudam a reforçar a sensação de perda de poder de compra e acabam pressionando o orçamento das famílias.
