O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório da Polícia Federal que detalha mensagens e registros relacionados ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, com referências ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ao próprio chefe da PGR. No parecer enviado ao ministro André Mendonça, relator do caso Master na Corte, Gonet sustenta que a ordem que levou à elaboração do documento ultrapassou os limites de atuação do magistrado.
A manifestação foi apresentada após Mendonça solicitar um posicionamento da Procuradoria-Geral da República sobre informações encontradas durante a investigação. Para Gonet, o ministro não poderia ter determinado, sem provocação do Ministério Público ou da própria PF, o aprofundamento das buscas para identificar o destinatário de mensagens de Vorcaro.
Na avaliação do procurador-geral, mesmo que indícios de uma possível irregularidade envolvendo outro ministro do STF fossem encontrados durante a apuração, caberia ao relator comunicar o presidente da Corte para que o plenário analisasse a possibilidade de investigação.
“Não caberia a ele determinar que se investigassem com mais detimento referências ao Colega. Impunha-se, antes, que, acreditando haver o que merecesse ser investigado, se dirigisse ao Presidente do Tribunal, para que o Plenário pudesse avaliar o acerto da sua impressão”, afirmou Gonet no parecer.
Com esse entendimento, o procurador-geral considera nula a determinação de Mendonça e, consequentemente, o relatório produzido pela Polícia Federal a partir dela. Gonet defende ainda que o procedimento seja encerrado.
Relatório também encontrou referências a Gonet
O documento cuja nulidade é defendida pelo PGR também reúne mensagens encontradas no telefone de Vorcaro com referências ao próprio Paulo Gonet e a um de seus filhos.
Em uma conversa de março de 2025, o advogado Ciro Soares, que atuou na defesa do Banco Master, perguntou a Vorcaro se Pedro Gonet, filho do procurador-geral, poderia integrar um grupo que viajaria a Londres. O banqueiro concordou.
Em abril, uma funcionária perguntou a Vorcaro quais convidados poderiam viajar com despesas pagas pela organização. Segundo o relatório da PF, o ex-controlador do Master autorizou o custeio para Ciro Soares e Pedro Gonet.
O documento também registra uma sequência de mensagens e ligações ocorrida em 15 de março de 2025. Na ocasião, Ciro enviou a Vorcaro uma fotografia na qual aparecia ao lado de Paulo Gonet e escreveu que o procurador-geral queria falar com o banqueiro.
Pouco depois, foram registradas quatro chamadas entre os telefones de Vorcaro e Ciro. As ligações duraram 57 segundos, 27 segundos, 17 segundos e três minutos e 49 segundos.
O relatório, no entanto, não confirma que Gonet tenha participado das chamadas ou conversado diretamente com Vorcaro. Os registros indicam apenas que as ligações ocorreram após Ciro afirmar ao banqueiro que o procurador-geral queria falar com ele.
Mensagens atribuídas ao procurador-geral
Duas semanas depois, em 28 de março de 2025, Ciro encaminhou a Vorcaro outras mensagens que, segundo o advogado, teriam sido enviadas por Gonet. Entre elas estavam manifestações de apoio e referências a uma viagem.
Após Vorcaro responder, Ciro afirmou que o procurador-geral gostava do banqueiro e que participaria da viagem a Londres. No dia seguinte, o advogado perguntou se o filho de Gonet também poderia acompanhar o grupo, pedido aceito por Vorcaro.
A Polícia Federal informou que não encontrou no aparelho do banqueiro um contato salvo com o nome de Paulo Gonet. As referências ao procurador-geral apareceram principalmente nas conversas mantidas entre Vorcaro e Ciro Soares.
O relatório não atribui prática criminosa a Gonet. O documento reúne as mensagens e os registros encontrados no aparelho de Vorcaro a partir da determinação de André Mendonça para identificar pessoas mencionadas nas comunicações do ex-controlador do Banco Master e detalhar as respectivas interações.
