O governo federal elevou o tom contra a família Bolsonaro ao reagir à classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Em nota divulgada nesta sexta-feira (29/5), o Executivo afirmou que “traidores” e “falsos patriotas” estariam buscando interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil e associou essas pessoas ao crime organizado.
Sem citar nominalmente o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) ou outros integrantes da família, o texto faz referência às viagens realizadas aos Estados Unidos e às articulações junto a autoridades norte-americanas.
“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, afirma a nota.
Em outro trecho, o governo menciona diretamente os Bolsonaros. “É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, diz o comunicado.
Reação à decisão dos Estados Unidos
A nota foi divulgada após os Estados Unidos classificarem PCC e CV como organizações terroristas. O governo brasileiro argumenta que as facções são organizações criminosas voltadas ao lucro por meio do tráfico de drogas e armas, mas sustenta que elas não se enquadram na definição de grupos terroristas movidos por motivações ideológicas, políticas ou religiosas.
O Executivo também reforça que o combate às facções criminosas é prioridade do Estado brasileiro e cita ações recentes para enfrentar o crime organizado, incluindo uma nova legislação que prevê penas de até 80 anos de prisão para integrantes de facções e milícias.
Defesa da soberania
O governo afirmou ainda que está aberto à cooperação internacional para combater o crime organizado e lembrou que apresentou aos Estados Unidos uma proposta de ampliação do intercâmbio de informações de inteligência, combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico internacional de armas.
Apesar disso, o texto alerta para os riscos de medidas unilaterais adotadas por outros países. Segundo a nota, ações externas podem prejudicar o compartilhamento de informações entre forças de segurança, afetar a economia brasileira e comprometer estratégias de enfrentamento ao crime.
Ao final do comunicado, o governo reafirma que a definição sobre a classificação e o combate às organizações criminosas deve ser tomada pelas instituições brasileiras. “A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos”, conclui a nota.
Confira a nota na íntegra:
Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro.
O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional.
A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.
É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.
Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima.
O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos. O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.
Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.
Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.
Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país.
A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.
Governo do Brasil
