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GTA VI não é apenas um jogo. É o encontro de duas eras da tecnologia

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Talvez você nunca tenha jogado GTA. Mas é difícil passar pela cultura digital das últimas décadas sem ter ouvido falar dele.

GTA é a sigla para Grand Theft Auto, uma das franquias mais importantes da história dos videogames. Seus jogos colocam o jogador dentro de enormes cidades virtuais inspiradas principalmente nos Estados Unidos, onde histórias de crime, dinheiro, poder e comportamento social se misturam a uma característica fundamental: liberdade.

Você pode seguir a história principal, dirigir pela cidade, explorar lugares, comprar propriedades, participar de atividades ou simplesmente observar aquele mundo funcionando ao seu redor.

É como entrar em um filme e descobrir que, em vez de apenas assistir à história, você pode circular dentro dela.

Agora, esse universo se prepara para sua maior transformação.

Grand Theft Auto VI chega em 19 de novembro de 2026, para PlayStation 5 e Xbox Series X e S. A nova história terá Jason e Lucia como protagonistas e acontecerá no estado fictício de Leonida, incluindo uma nova versão de Vice City, inspirada em Miami.

Mas talvez a parte mais interessante de GTA VI não esteja apenas dentro do jogo.

Está no mundo que mudou enquanto esperávamos por ele.

Treze anos que mudaram a tecnologia

GTA V foi lançado em setembro de 2013.

Treze anos separam os dois grandes lançamentos.

Para tecnologia, treze anos são quase uma era geológica.

Quando GTA V chegou ao mercado, o PlayStation 4 ainda nem havia sido lançado comercialmente. TikTok não existia. O 5G comercial estava distante. A inteligência artificial generativa não fazia parte da rotina das pessoas. Computação em nuvem, streaming e criação de conteúdo estavam em estágios muito diferentes dos atuais.

Hoje carregamos computadores extremamente poderosos no bolso, conversamos naturalmente com máquinas, produzimos imagens e vídeos com inteligência artificial e transmitimos conteúdo ao vivo para milhões de pessoas.

GTA VI, portanto, não será simplesmente a continuação de GTA V.

Será um videogame criado durante a passagem de uma era tecnológica para outra.

Enquanto esperávamos, a indústria mais que triplicou

Existe um número que talvez seja ainda mais importante para empresários do que os gráficos ou o tamanho do mapa do novo GTA.

Quando GTA V chegou ao mercado, em 2013, a Newzoo estimava que a indústria mundial de videogames movimentaria aproximadamente US$ 70,4 bilhões naquele ano, reunindo cerca de 1,23 bilhão de jogadores.

Em 2026, a mesma empresa projeta um mercado global de aproximadamente US$ 213,9 bilhões e cerca de 3,7 bilhões de jogadores.

Em treze anos, portanto, a receita anual dessa indústria mais que triplicou.

E praticamente metade da humanidade hoje joga alguma forma de videogame.

O celular representa a maior parte desse mercado, com uma receita projetada de US$ 121,1 bilhões em 2026. Consoles devem movimentar US$ 46,9 bilhões e computadores, US$ 45,9 bilhões.

A própria Newzoo aponta o lançamento de GTA VI como um dos acontecimentos capazes de impulsionar o crescimento do segmento de consoles neste ano.

Isso muda completamente a perspectiva.

Videogame não é mais uma indústria restrita ao adolescente no quarto diante da televisão.

É entretenimento, mídia, tecnologia, propriedade intelectual, publicidade, economia digital, esporte, criação de conteúdo e comunidade.

E GTA está no centro dessa transformação.

Um jogo que se recusou a envelhecer

GTA V ajuda a explicar esse fenômeno.

Segundo a Take Two, o jogo já ultrapassou 225 milhões de unidades distribuídas desde 2013.

Poucos produtos culturais conseguem permanecer economicamente relevantes durante tanto tempo.

Parte importante dessa longevidade veio de GTA Online, que transformou aquele universo em algo diferente do jogo tradicional.

O consumidor deixou de simplesmente terminar uma história e guardar o disco.

Passou a voltar.

Encontrou amigos, comprou veículos e propriedades virtuais, participou de missões, criou personagens e permaneceu conectado àquele mundo durante anos.

Essa transformação é fundamental para entender a economia digital contemporânea.

As empresas mais valiosas do entretenimento não querem apenas vender um produto.

Querem construir um ambiente para o qual você tenha motivos para retornar.

GTA V conseguiu fazer exatamente isso.

Agora imagine o tamanho da expectativa sobre seu sucessor.

GTA VI chega ao mundo da inteligência artificial

Existe aqui um paradoxo interessante.

GTA VI será lançado em plena revolução da inteligência artificial generativa. Mas a Take Two afirma que essa tecnologia não foi utilizada na construção do jogo da maneira que muitos imaginam.

A companhia sustenta que os mundos da Rockstar continuam sendo produzidos artesanalmente, com enorme trabalho humano na construção de ruas, prédios, bairros, personagens e situações.

Isso torna GTA VI ainda mais curioso.

Ele poderá ser um dos últimos gigantescos mundos digitais concebidos durante uma época em que a IA generativa ainda não fazia parte das principais ferramentas disponíveis durante boa parte de seu desenvolvimento.

Mas o jogador que receberá esse mundo em 2026 já foi transformado pela IA.

E isso muda expectativas.

Hoje já conseguimos conversar com sistemas de inteligência artificial utilizando linguagem natural. Máquinas conseguem produzir voz, texto, imagens e vídeos. Sistemas conseguem interpretar contexto e responder de maneiras diferentes à mesma situação.

Agora imagine quando essas tecnologias forem incorporadas profundamente aos mundos virtuais.

Personagens poderão, no futuro, lembrar do jogador. Poderão responder de maneira diferente dependendo do histórico daquela pessoa. Conversas poderão deixar de depender exclusivamente de diálogos previamente escritos.

Um comerciante virtual poderia lembrar que você esteve naquela loja.

Um policial poderia reagir de maneira diferente dependendo de uma conversa.

Um personagem poderia ter memória, personalidade e comportamentos menos previsíveis.

É importante deixar claro: não há confirmação de que GTA VI terá personagens funcionando dessa maneira por meio de inteligência artificial generativa.

Mas essa tecnologia já existe no horizonte da indústria.

E isso cria uma pergunta fascinante.

Se GTA V permaneceu relevante por treze anos, quais tecnologias GTA VI terá que enfrentar para continuar relevante durante os próximos treze?

O desafio deixou de ser construir cidades grandes

Durante muito tempo, um dos grandes símbolos da evolução dos videogames era o tamanho.

Mapas maiores. Mais carros. Mais personagens. Mais prédios. Mais detalhes.

Agora estamos entrando em outra fase.

O desafio não será apenas construir uma cidade maior.

Será fazer essa cidade parecer viva.

Computadores e consoles atuais conseguem processar ambientes muito mais complexos do que as máquinas de 2013. Armazenamento SSD permite carregar informações em velocidades muito superiores. Processadores e chips gráficos conseguem produzir iluminação, física, animações e densidade urbana que seriam extremamente difíceis na geração em que GTA V nasceu.

Mas a próxima fronteira provavelmente será comportamento.

Não basta colocar mil personagens numa cidade.

O que acontece quando esses personagens começam a parecer menos programados?

Essa discussão vai muito além de GTA.

Ela envolve videogames, realidade virtual, redes sociais e os futuros ambientes digitais nos quais trabalharemos, compraremos, estudaremos e nos relacionaremos.

O assalto que aconteceu fora do jogo

Mas talvez nenhuma história represente melhor essa nova economia digital do que aquilo que aconteceu com o próprio GTA VI.

Em setembro de 2022, cerca de 90 vídeos de uma versão ainda em desenvolvimento apareceram na internet após uma invasão aos sistemas da Rockstar.

Foi um dos maiores vazamentos da história da indústria dos videogames.

O responsável identificado pela Justiça britânica foi Arion Kurtaj, integrante do grupo Lapsus$.

O episódio parecia roteiro de cinema.

Kurtaj conseguiu atacar a Rockstar enquanto estava em um hotel sob restrições e sem seu notebook pessoal. Entre os equipamentos utilizados estava um Amazon Fire TV Stick.

Só que, quatro anos depois, a história ganhou um novo capítulo.

E talvez ainda mais preocupante.

Em 2026, alguém aparentemente entrou no jogo antes de todo mundo

Em 18 de agosto deste ano, uma pessoa ou grupo utilizando o nome CyberLeek começou a publicar na internet imagens e vídeos inéditos de GTA VI.

Inicialmente havia uma dúvida importante.

O responsável realmente tinha acesso ao jogo ou estava apenas publicando vídeos internos obtidos de outra fonte?

Dois dias depois, surgiu uma demonstração difícil de ignorar.

Um novo vídeo mostrou Jason, um dos protagonistas de GTA VI, sendo controlado dentro do jogo.

Em determinado momento, o jogador utilizou uma arma para escrever, com tiros em uma parede, a palavra “LEEK”.

Aquilo funcionou praticamente como uma assinatura digital.

A demonstração indicava que não se tratava simplesmente de alguém reproduzindo um vídeo previamente gravado.

Havia fortes indícios de acesso direto a uma versão jogável de GTA VI.

E aqui existe uma distinção jornalística importante.

Não está comprovado publicamente que CyberLeek tenha conseguido a versão final e completa que chegará aos consumidores em novembro. O acesso pode envolver uma build de desenvolvimento, ou seja, uma versão ainda utilizada para testes e produção.

Mas isso não diminui a gravidade do episódio.

Estamos falando de alguém aparentemente conseguindo jogar uma versão não lançada de um dos produtos digitais mais protegidos e valiosos do mundo.

A Take Two foi atrás do vazador

A reação foi rápida.

A Take Two, controladora da Rockstar, iniciou medidas judiciais para tentar descobrir quem estava por trás do vazamento.

Microsoft e Discord estiveram entre as plataformas envolvidas nos pedidos de informações. A investigação também alcançou outras plataformas, enquanto a empresa buscava registros capazes de ajudar na identificação das contas responsáveis pela divulgação do material.

Nas semanas seguintes, o processo ficou ainda mais específico.

Documentos judiciais mostraram a Take Two estreitando sua busca e solicitando informações sobre usuários e comunidades no Discord. Em uma etapa mais recente, a companhia pediu que um dos novos pedidos permanecesse sob sigilo para evitar que possíveis envolvidos fossem alertados e tivessem oportunidade de eliminar evidências.

É uma investigação ainda em andamento.

Mas a história contém uma lição que vai muito além dos videogames.

Os novos cofres das empresas não têm portas de aço

No próprio GTA, boa parte das histórias gira em torno de assaltos.

Personagens estudam um alvo, encontram uma vulnerabilidade, entram em lugares protegidos e tentam sair carregando algo valioso.

No mundo real, aconteceu algo simbolicamente parecido.

Só que o cofre não estava dentro de um banco.

Estava dentro de servidores, sistemas corporativos, plataformas de comunicação e ambientes digitais.

Esse talvez seja um dos melhores exemplos para explicar a cibersegurança para qualquer empresário.

Hoje, propriedade intelectual, código fonte, dados de clientes, projetos, estratégias, pesquisas e produtos ainda não lançados podem valer mais do que muitos ativos físicos de uma companhia.

Os cofres empresariais mudaram.

E os assaltantes também.

Uma empresa pode possuir prédios protegidos, câmeras, vigilância e controles físicos extraordinários. Mas basta uma vulnerabilidade digital, uma credencial comprometida ou uma falha humana para alguém atravessar uma fronteira que, fisicamente, pareceria impossível.

GTA VI transformou essa discussão abstrata em uma história extremamente concreta.

Um dos produtos mais aguardados do planeta foi jogado por alguém que não deveria ter acesso a ele.

Talvez o verdadeiro produto não seja mais o jogo

Existe ainda outra transformação importante acontecendo.

Durante décadas, videogames funcionaram como filmes.

Você comprava. Jogava. Terminava.

Hoje, muitos dos maiores títulos funcionam mais como cidades.

As pessoas entram, encontram amigos, compram objetos virtuais, constroem identidades e permanecem naquele ambiente durante anos.

GTA Online ajudou a acelerar esse modelo.

E isso nos leva a uma pergunta econômica muito maior sobre GTA VI.

Talvez o produto mais importante que a Rockstar esteja construindo não seja apenas uma história protagonizada por Jason e Lucia.

Talvez seja uma plataforma capaz de sustentar uma nova geração de consumidores durante uma década ou mais.

Esse modelo aproxima os videogames das redes sociais.

TikTok disputa minutos.

Netflix disputa horas.

Games disputam mundos.

Quando uma pessoa passa centenas ou milhares de horas dentro de um universo virtual, aquele ambiente começa a competir por algo muito maior do que dinheiro.

Compete por atenção, identidade e relacionamento.

E se GTA VI ainda estiver conosco em 2040?

Talvez esse seja o pensamento mais impressionante de todos.

GTA V nasceu em 2013.

Treze anos depois, continua economicamente relevante.

Se GTA VI repetir uma trajetória semelhante, estaremos falando desse mesmo mundo virtual perto de 2040.

Pense nas tecnologias que surgiram entre 2013 e 2026.

Agora tente imaginar o que poderá surgir entre 2026 e 2040.

Novos consoles.

Novos computadores.

Novas formas de interação.

Realidade virtual mais sofisticada.

Inteligência artificial integrada aos mundos digitais.

Personagens mais autônomos.

Novos modelos econômicos.

Talvez tecnologias que hoje nem saibamos nomear.

É esse futuro que GTA VI terá que enfrentar.

O encontro de duas eras

Por isso, reduzir GTA VI a gráficos melhores, carros mais realistas ou um mapa maior é perder a parte mais interessante da história.

O jogo chega exatamente na fronteira entre duas eras.

De um lado está uma indústria que passou décadas construindo mundos digitais artesanalmente, utilizando programação, animação, captura de movimentos, roteiros e enorme capacidade computacional.

Do outro começa uma indústria na qual inteligência artificial, geração de conteúdo, computação avançada e novas formas de interação poderão fazer esses mundos reagirem cada vez mais às pessoas que vivem dentro deles.

No meio dessa transformação está GTA VI.

Um produto cujo antecessor nasceu quando a indústria mundial de games movimentava cerca de US$ 70 bilhões por ano.

Agora ele chega a uma indústria de aproximadamente US$ 214 bilhões.

Um mercado que saiu de cerca de 1,2 bilhão para 3,7 bilhões de jogadores.

Um jogo que ainda nem foi oficialmente lançado e já provocou uma disputa internacional para descobrir quem conseguiu entrar nele antes da hora.

Talvez, portanto, a grande pergunta sobre GTA VI não seja se ele conseguirá superar GTA V.

A pergunta é maior:

como construir hoje um mundo digital capaz de sobreviver às tecnologias que ainda nem existem?

GTA V mostrou até onde conseguíamos levar um mundo virtual em 2013.

GTA VI terá uma missão muito mais difícil.

Mostrar até onde queremos viver dentro deles.

Harlen Duque

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Harlen Duque

CEO Sucesu Nacional e líder em transformação Digital na Wblio , especialista em transformação de negócios pela Stanford University , piloto de automobilismo virtual e um apaixonado pela cultura de inovação.

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