Um novo medicamento para tratar e prevenir a enxaqueca em adultos deve chegar às farmácias brasileiras no primeiro semestre de 2027. O Nurtec ODT, da Pfizer, já tem registro aprovado pela Anvisa, mas ainda depende da definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para entrar no mercado.
O princípio ativo é o rimegepanto, substância que bloqueia a ação do CGRP, proteína ligada à inflamação e à dor durante as crises. O mecanismo é diferente do usado pelos analgésicos comuns e pelos triptanos, que agem na contração dos vasos sanguíneos. O comprimido é de 75 mg e orodispersível, ou seja, dissolve na boca sem necessidade de água. Em estudo de fase 3 publicado na revista científica The Lancet, 59,3% dos pacientes relataram alívio da dor em até duas horas após o uso.
Quem pode usar
A Anvisa autorizou o medicamento para adultos em duas situações: no tratamento da crise já instalada, com ou sem aura, e na prevenção da enxaqueca episódica em pacientes que têm pelo menos quatro crises por mês. Não há comprovação de segurança e eficácia em crianças e adolescentes. A venda será de tarja vermelha, com receita médica.
Quando chega e quanto vai custar
A previsão de comercialização foi informada pela diretora médica da Pfizer Brasil, Adriana Ribeiro. O valor ainda não foi divulgado e será definido pela CMED, órgão que estabelece o preço máximo dos medicamentos no país a partir de critérios regulatórios e de referências internacionais. Nos Estados Unidos, onde o remédio já é vendido, a caixa com oito comprimidos custa entre US$ 1,1 mil e US$ 1,3 mil na tabela, antes de descontos. Também não há definição sobre incorporação ao SUS nem sobre cobertura por planos de saúde.
Doença atinge até 34 milhões de brasileiros
A enxaqueca é uma doença neurológica, genética e crônica, que provoca dor de cabeça latejante, náusea, vômito e sensibilidade à luz, a sons e a cheiros. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, atinge entre 30 e 34 milhões de pessoas no Brasil, cerca de 15% da população. Em Belo Horizonte, quem convive com crises frequentes deve procurar uma Unidade Básica de Saúde para avaliação inicial, que é o caminho para o encaminhamento ao neurologista da rede pública.
