Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (23/6) aponta que 59% dos brasileiros concordam com a classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O levantamento foi realizado após os Estados Unidos adotarem a designação para os grupos criminosos no início deste mês.
Segundo os dados, 45% dos entrevistados afirmaram concordar totalmente com a medida e 14% disseram concordar em parte. Em contrapartida, 33% manifestaram discordância, sendo 22% totalmente contrários e 11% parcialmente contrários. Outros 7% não souberam responder e 1% declarou não concordar nem discordar.
A pesquisa também avaliou a percepção da população sobre uma eventual atuação dos Estados Unidos contra integrantes das facções em território brasileiro. Nesse cenário, 74% dos entrevistados rejeitam a possibilidade de ações sem autorização do governo brasileiro. Apenas 22% concordam com esse tipo de intervenção, enquanto 3% não souberam responder.
Os entrevistados também foram questionados sobre as intenções do governo americano ao classificar PCC e CV como organizações terroristas. Para 50%, a medida tem como objetivo ajudar a população brasileira no combate ao crime organizado. Já 46% discordam dessa avaliação, enquanto 4% não souberam opinar.
Outra pergunta abordou a tese de que os Estados Unidos estariam utilizando o combate às facções como justificativa para ampliar sua influência sobre o Brasil. Nesse caso, 74% discordaram da afirmação, enquanto 23% concordaram. Outros 3% não responderam.
Influência de Flávio Bolsonaro
O levantamento também investigou a percepção dos brasileiros sobre a atuação do senador Flávio Bolsonaro no processo que levou os Estados Unidos a classificarem as facções como terroristas.
De acordo com a pesquisa, 54% acreditam que o parlamentar teve influência na decisão do governo americano. Outros 30% consideram que ele não exerceu influência, enquanto 16% não souberam responder.
A discussão ganhou destaque após a visita de Flávio Bolsonaro ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Em março, o jornal The New York Times informou que Flávio e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro atuavam junto a autoridades americanas para defender a classificação das facções como organizações terroristas.
Entre os entrevistados que acreditam que Flávio Bolsonaro influenciou a decisão americana, 57% avaliam que a articulação foi negativa para o Brasil. Já 37% consideram a atuação positiva. Outros 3% classificaram o impacto como intermediário e 2% não souberam responder.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 17 e 18 de junho, em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-09956/2026.
