O trompetista Miles Davis completaria 100 anos em 2026 e segue como um dos nomes mais influentes da história do jazz. Conhecido por reinventar a própria carreira diversas vezes, o músico atravessou estilos como Bebop, cool jazz, fusion e experimentalismo, deixando marcas profundas na música contemporânea e influenciando artistas de diferentes gerações.
Em Belo Horizonte, o legado do artista segue vivo em projetos, apresentações e tributos dedicados ao jazz clássico. Para Bruno Golgher, diretor e fundador do Café com Letras, uma das maiores contribuições de Miles Davis para a história da música foi a consolidação do chamado jazz modal, além da forte personalidade artística construída por ele ao longo da carreira.
“O Miles Davis foi um verdadeiro camaleão. Não só em termos do que ele produziu musicalmente, mas com a pessoa dele mesmo, a persona artística dele. Como ele se vestia, como ele se portava, tudo tem importância. Mas eu acho que a grande contribuição dele, que é a mais duradoura, é a passagem do Bebop ao cool jazz, onde ele fez uma passagem para um jeito de tocar música chamado jazz modal”, afirma Bruno Golgher.
Segundo Bruno, a influência de Miles Davis ultrapassa o universo do jazz justamente pela capacidade do músico de dialogar com diferentes estilos ao longo da trajetória. Para ele, artistas como Miles Davis e John Coltrane se tornaram referências definitivas da música mundial.
“Miles Davis, assim como John Coltrane, vai entrar para a história da música assim como Beethoven e Mozart entraram para a música clássica erudita. Enquanto se falar de jazz, a gente vai sempre se referir a eles. O Miles, em particular, tocou em diversos estilos. Então, à medida que as pessoas exploram a história desses estilos, elas encontram Miles Davis. O fato da música ser tão linda e às vezes tão simples renova essa fascinação permanente”, destaca.
Novas gerações
O interesse das novas gerações também chama atenção nos eventos realizados pelo Café com Letras. De acordo com Bruno Golgher, os tributos aos discos clássicos de Miles Davis têm despertado a curiosidade de jovens ouvintes e servido como porta de entrada para o universo do jazz.
“As pessoas se interessam muito. Inclusive pessoas jovens, que encontram ali uma porta de entrada e têm um certo fascínio por esses nomes. Você ver uma obra que gosta muito sendo tocada ao vivo tem uma mágica, tanto para quem já conhece quanto para atrair novas gerações para esse universo”, diz Bruno.
Mesmo um século após o nascimento, Miles Davis segue atravessando gerações e mostrando que improvisação, inovação e experimentação continuam sendo linguagens universais da música.
