O artigo de Paulo Leite levanta uma dúvida interessante sobre Tiradentes. Vale a discussão. Mas, ao tentar diminuir seu papel, acaba deixando de lado pontos importantes.
Dizer que Tiradentes era só alguém que repetia ideias não faz jus ao que aconteceu. Ele foi quem mais falou, quem mais circulou, quem levou o assunto para fora dos grupos fechados. Isso não é detalhe, é ação.
Também é comum dizer que a Inconfidência era um movimento de elite. Em parte, era mesmo. Mas Tiradentes não era um grande proprietário nem alguém no topo do poder. Ainda assim, foi o único a pagar com a vida. Isso diz muito sobre o nível de envolvimento dele.
Outro ponto é a ideia de que sua imagem foi criada depois, na República. É verdade que sua figura foi valorizada naquele momento. Mas ninguém transforma alguém irrelevante em símbolo nacional. Existe um motivo para essa escolha.
Chamar Tiradentes de “operador de uma ideia” acaba diminuindo uma decisão que teve custo alto. Ele defendeu a ruptura com o domínio português em um tempo em que isso podia levar à morte. E levou.
Dá para reconhecer que ele não foi perfeito, nem um líder solitário. Mas também não dá para tratá-lo como alguém menor. Tiradentes teve coragem de se expor, de defender uma causa e de arcar com as consequências. É por isso que seu nome continua vivo.
