Jimmy Kimmel voltou a ser alvo da Casa Branca após o ataque ao jantar de correspondentes de Washington, no último sábado (25/4). O presidente norte-americano Donald Trump e a primeira-dama Melania Trump criticaram o apresentador por usar de “retórica odiosa e violenta” contra o governo em programa veiculado na quinta-feira antes do evento.
No quadro em questão, Kimmel criticou o jantar de correspondentes por, pela primeira vez em anos, não ser apresentado por um comediante. Como resposta, o apresentador usou a abertura de seu talk-show, o Jimmy Kimmel Live!, para criar sua própria versão do evento.
Entre as piadas contadas por Kimmel, ele cumprimenta Melania, dizendo que ela exibia “o brilho de uma futura viúva”.
“Agradeço que tantas pessoas estejam indignadas com a repugnante incitação à violência feita por Kimmel e, normalmente, eu não responderia a nada do que ele disse, mas isso está muito além de todos os limites. Jimmy Kimmel deveria ser demitido imediatamente pela Disney e pela ABC”, declarou Trump nas redes sociais.
O sentimento de indignação foi reproduzido por Melania, que chamou Kimmel de “covarde” e disse que ele se esconde das responsabilidades por trás da ABC, emissora do Grupo Disney. “A retórica odiosa e violenta de Kimmel tem a intenção de dividir nosso país. Seu monólogo sobre minha família não é comédia – suas palavras são corrosivas e aprofundam a doença política dentro da América. Pessoas como Kimmel não deveriam ter a oportunidade de entrar em nossas casas todas as noites para espalhar ódio”, escreveu a primeira-dama.
Kimmel responde
No monólogo de abertura da edição do Jimmy Kimmel Live! desta segunda-feira, 27, Kimmel respondeu às acusações do casal presidencial, afirmando que a piada nada tinha a ver com qualquer tipo de violência política e fazia referência à diferença de idade dos Trumps. “Era uma piada sobre ele ter quase 80 anos e ela ser mais nova do que eu (Melania tem 56 anos).”
“Em momento nenhum foi um pedido pelo assassinato [de Trump] e eles sabem disso. Já falei muito ao longo dos anos sobre violência com armas de fogo”, seguiu o apresentador, que aproveitou o momento para criticar os discursos do presidente dos Estados Unidos. “Concordo que a ‘retórica odiosa e violenta’ é algo que deveríamos rejeitar. Acho que um ótimo jeito para começarmos a diminuir isso seria [Melania] ter uma conversa com o seu marido sobre isso.”
Kimmel ainda comentou sobre as leis de liberdade de expressão dos EUA. “[Trump] tem o direito de dizer o que quer, assim como [a plateia], como eu e como todos nós porque, sob a Primeira Emenda [da constituição norte-americana] nós temos o direito de liberdade de expressão.”
“Sinto muito que você, o presidente e todos naquele salão tenham passado [pelo atentado] no sábado. (…) Só porque ninguém morreu, isso não quer dizer que isso não foi traumático e assustador”, seguiu Kimmel, dizendo ainda que, se sua piada é motivo de demissão, o mesmo deveria ser dito sobre Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, que, antes do evento, afirmou que o discurso de Trump teria “ataques” [“shots fired”, no original] aos seus críticos.
Tiros em evento da Casa Branca
Logo no começo do jantar anual de correspondentes, Cole Tomas Allen, de 31 anos, tentou invadir o evento, chegando a disparar tiros contra seguranças e causando a evacuação do local. O jantar, que é tradicionalmente veiculado em canais de notícias, contou com a presença de diversos cinegrafistas, que registraram a comoção com o atentado.
Rapidamente, Trump, Melania, o vice-presidente JD Vance e sua esposa, Usha Vance, foram retirados por agentes do serviço secreto dos EUA.
Allen, mecânico e desenvolvedor de jogos, foi rapidamente imobilizado pelos seguranças do local. O homem portava uma espingarda, uma pistola e facas. Antes do atentado, ele escreveu cartas críticas a Trump, levando a polícia a acreditar que seu alvo era o presidente.
De acordo com a imprensa local, a revista de segurança para entrar no evento foi mínima, permitindo que o atirador invadisse o jantar.
Trump e a polícia acreditam que Allen agiu sozinho. O homem teve sua primeira audiência frente à Justiça na última segunda-feira
O jantar de correspondentes da Casa Branca foi adiado e remarcado para maio.
