O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos/MG), vai recorrer da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que desobrigou o banqueiro Daniel Vorcaro de comparecer na Comissão.
Vorcaro era esperado na Comissão nesta segunda-feira (23/02), mas cancelou sua presença após determinação do STF.
“Mais uma vez a decisão do Supremo Tribunal Federal interfere, prejudica e atrasa as nossas investigações. Havia um acordo já totalmente elaborado, vocês acompanharam e na decisão apenas para que ele viesse a Brasília, não era uma decisão pedindo que ele autorizasse, era uma decisão para ele vir a Brasília porque ele está com medida restritiva respeitando o Supremo”, afirmou o Senador.
“Nos veio a surpresa de que ele não era obrigado a comparecer, e o banqueiro usou dessa prerrogativa [de Mendonça] para descumprir o acordo. Eu estou com a advocacia do Senado recorrendo dessa decisão. Nós estamos impetrando no Supremo Tribunal Federal uma solicitação de que o ministro reveja essa posição e que o vocaro ele seja obrigado, como diz a Constituição, como diz a lei, como testemunha, comparecer a nossa CPMI”, completou.
Investigado VIP
A ausência do ex-presidente do Banco Master foi recebida com críticas por integrantes da CPMI. Para o deputado federal Alfredo Gaspar (União/AL), relator da Comissão, Vorcaro age como um “investigado VIP”.
“Por mim o Vorcaro estava preso, quanto mais vir depor na CPMI. Eu não fiz nenhuma tratativa com o Vorcaro, e acho fundamental nós não termos justiça de investigado VIP, e investigado que não é VIP”, desabafou. “O Vorcaro deveria estar aqui prestando contas ao Brasil. Depoimento tem que ser público e presencial, porque é assim que o Brasil exige a transparência”, completou.
No lugar de Daniel Vorcaro, quem falou à CPMI foi Ingrid Pikinskeni, empresária ligada à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer). A entidade é suspeita de receber mais de cem milhões de reais em descontos ilegais.
Ingrid é esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como operador e assessor do presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, investigado pela CPMI.
*Com informações de Agência Brasil