Depois de mostrarmos nesta coluna a vacina que começa a ser criada pelo futuro governo Cleitinho, aliados de Mateus Simões surgem para se posicionar em contraponto. A tese desse grupo é que o ainda senador não pode demonstrar grande surpresa diante da situação fiscal do Estado, porque sabia muito bem onde estava se metendo quando decidiu se candidatar. Eles lembram da indecisão dele, lá atrás, sobre a própria candidatura, o que seria prova do temor do político que se fez no Legislativo de passar de pedra a vidraça.
Mas o principal argumento do grupo é que Cleitinho teria prometido o que sabia que não conseguiria cumprir e que agora, diante dos dados, estaria buscando uma saída para voltar atrás em promessas como a redução do IPVA. Em 2025, o Estado arrecadou R$ 11,8 bilhões com o imposto, valor muito próximo dos R$ 10,5 bilhões de déficit previstos para 2027. Claro que o Estado não fica com esse total, que ainda precisa ser dividido com os municípios, mas o número tem sido usado politicamente por aliados de Mateus.
Outra bronca de Mateus é justamente com o discurso de Cleitinho sobre o déficit previsto na proposta orçamentária. Os aliados alegam que a LOA é uma peça baseada em estimativas, mas que cabe ao gestor, no caso, o próximo governador, manejar os números, buscar receitas e reduzir despesas. Caberia a ele, agora, por exemplo, negociar com os deputados para que façam as alterações que julgar necessárias, como a aprovação do projeto que viabiliza o fim das isenções fiscais. A medida, segundo eles, poderia render R$ 9 bilhões a Minas. Também citam que orçamentos anteriores previam déficits, mas que, nos últimos anos, as gestões de Zema e Mateus fecharam as contas no azul.
Fecha a lista o que os aliados chamam de populismo, que Cleitinho terá de tirar dos vídeos para encaixar na realidade do Executivo estadual. A conclusão é que agora caberá a ele o equilibrismo que a situação do Estado vai impor ao governador eleito, que prometeu resolver os buracos das estradas, valorizar os servidores e reduzir impostos.
Com argumentos colocados dos dois lados, certo é que, a disputa agora é também pela responsabilidade sobre o que vier pela frente.Um vai defender seu legado e negar que haja qualquer revanchismo em ações que, sim, terão uma conta a ser paga nos próximos anos. E o outro vai se empenhar muito, como todos os eleitos historicamente, em construir desde já uma vacina para os futuros percalços dos quatro anos que estão por vir.