As autoridades de saúde no Brasil colocaram o mercado das famosas canetas emagrecedoras na mira definitiva. Em uma movimentação conjunta inédita, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e os conselhos federais de Medicina (CFM), Odontologia (CFO) e Farmácia (CFF) assinaram uma carta de intenção. O documento busca frear o uso irracional e a venda ilegal de medicamentos agonistas do receptor GLP 1.
A iniciativa responde ao crescimento descontrolado da procura por substâncias como semaglutida e tirzepatida. Muitas vezes, as pessoas utilizam esses itens sem acompanhamento médico ou os adquirem de fontes duvidosas. Segundo a Anvisa, o foco principal é prevenir riscos sanitários e zelar pela saúde da população diante da popularização desses fármacos.
Fiscalização e apreensões
O acordo já apresenta resultados práticos. Recentemente, a agência determinou a apreensão imediata dos produtos Gluconex e Tirzedral. Essas marcas circulavam na internet como opções injetáveis para emagrecimento, mas não possuem registro ou cadastro oficial no país. Por terem origem desconhecida, a Anvisa alerta que não existem garantias sobre o conteúdo desses itens. Assim, a agência proíbe a venda e o uso em qualquer hipótese.
O combate ao contrabando também ganhou força além das vendas online. Na Baixada Fluminense, a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus vindo do Paraguai com material ilegal. Na ação, os agentes prenderam um casal em flagrante. Eles transportavam anabolizantes e cerca de mil frascos de canetas com tirzepatida para comercialização irregular no território nacional.
Riscos graves à saúde
O alerta das autoridades foca na segurança do paciente e não apenas em questões burocráticas. O uso indevido desses medicamentos pode desencadear eventos adversos severos. Entre as maiores preocupações está a pancreatite aguda. Essa inflamação grave no pâncreas pode evoluir para quadros fatais.
Para organizar o combate às irregularidades, a Anvisa deve publicar portarias criando grupos de trabalho específicos ainda esta semana. Essas frentes de atuação vão se dividir entre instâncias de governança e discussões técnicas entre os conselhos profissionais. A orientação oficial permanece clara: o paciente deve utilizar medicamentos para diabetes e obesidade apenas conforme a bula e sob rigorosa prescrição profissional.
*Estagiário sob supervisão do coordenador Roberth Costa
