PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A refeição imoral dos vereadores de BH

Siga no

Vereadores aprovaram aumento no auxílio alimentação (Foto: Karoline Barreto/CMBH)

Compartilhar matéria

A aprovação do aumento do vale-refeição para os servidores da Câmara Municipal de BH — agora também extensivo aos vereadores — é indigesta para os contribuintes e imoral.

Foi aprovado em segundo turno um projeto “jabuti” que trata da remuneração dos vereadores e servidores da capital e que, de maneira sorrateira e oportunista, inclui o aumento do vale-refeição dos servidores, estendendo esse benefício também aos vereadores.

O que poderia ser considerado apenas lesivo ao bolso dos contribuintes vem carregado de imoralidade.

O vale-refeição foi aprovado em dois turnos a toque de caixa, com votação em dois dias — um recorde que poderia se tornar padrão para as demais votações na Câmara.

No segundo turno, o projeto foi colocado em votação sem qualquer manifestação dos vereadores presentes em plenário. O resultado foi de 37 votos favoráveis e apenas três contrários — os dos vereadores do Novo, Fernanda Altoé, Marcela Trópia e Braulio Lara.

Acontece, porém, que anexo à Câmara funciona o restaurante popular, que serve refeições a R$ 3,00 (três reais) e é reconhecido por sua alimentação de qualidade.

Por que vereadores e servidores não podem utilizá-lo? Seriam os tecidos do aparelho digestivo deles feitos de matéria distinta dos da população?

O presidente da Casa, vereador Juliano Lopes, ao ser questionado sobre o aumento do vale, fez uma comparação no mínimo duvidosa com os valores dos vales-refeição dos servidores do Tribunal de Justiça do Estado e do Ministério Público, semelhantes aos que a Câmara passará a pagar. Só que essa equivalência é falsa, pois trata-se de órgãos distintos de uma casa legislativa.

Se fizermos a comparação com os valores dos vales-refeição de outras casas legislativas, veremos a discrepância dos valores estabelecidos pelo projeto. Os servidores do Senado recebem R$ 1.460,41, os da Câmara dos Deputados R$ 1.393,11 e os da Assembleia de Minas R$ 986,45.

Já passou da hora de uma imediata sintonia da Câmara Municipal com a vida real dos seus munícipes. São raras as empresas privadas que fornecem vales com valores iguais aos da Câmara — com a diferença de que o dinheiro que remunera as atividades do Legislativo não é propriedade dos senhores vereadores, mas sim dos impostos pagos pelos cidadãos, que, a rigor, são os verdadeiros patrões de todo servidor público.

Estranho o silêncio dos vereadores do campo progressista da Casa, que tradicionalmente bradam contra os privilégios vistos pela sociedade, e dos conservadores, que costumam apontar o dedo para a gastança do governo federal e sua irresponsabilidade fiscal.

Sabemos, entretanto, que a falta de vergonha na cara dos políticos não lhes permitirá coerência nem retidão no trato com o dinheiro do contribuinte. Mas vergonha na cara não é artigo que pode ser comprado com o vale-refeição.

Compartilhar matéria

Siga no

Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de Colunistas

Caso Lucas Ganem: o mandato sob suspeita e a vergonha da legislação eleitoral brasileira

Glifosato: A morte mora ao lado?

Paulo Leite: O palanque mineiro de Flávio Bolsonaro passa por Flávio Roscoe

Dia Mundial do Leite: comemorar, sim, mas sem fingir que está tudo bem

Kalil se encontra com presidente nacional do PT, mas diz: “Nada mudou”

Sábado: o dia em que até Deus pediu licença

Últimas notícias

PT lança carta para evangélicos, evita pautas de costumes e reforça programas de Lula

‘Não é fácil suceder Lula’, diz Erika Hilton sobre futuro da esquerda

Após impor sigilo de 100 anos em processos de bets, Fazenda recua e promete transparência

BH suspende vacinação contra dengue com imunizante do Butantan após orientação federal

Jarbas defende renegociação do Propag: ‘a mesa estava contaminada pela política’

‘Terras raras são o ouro do século XXI’, diz Jarbas Soares ao defender mineração responsável em MG

‘Não sou de esquerda, nem de direita’, diz Jarbas Soares

Wilton Pereira Sampaio apitará abertura da Copa do Mundo de 2026

Jarbas revela decepção e critica Zema: ‘me colocou para sair pela porta dos fundos’