O Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum – WEF) é realizado anualmente na cidade de Davos, na Suíça. Ele reúne Chefes de Estado, CEOs de grandes empresas, líderes de ONGs, acadêmicos, jornalistas e representantes da sociedade civil, com o objetivo de promover debates e cooperação internacional sobre temas como economia global, comércio, tecnologia, mudanças climáticas, desigualdade social e segurança.
O Fórum Econômico Mundial de Davos, foi criado em 1971, sendo que a edição de 2026 ocorreu entre 19 e 23 de janeiro, reunindo mais de 60 chefes de Estado e centenas de líderes empresariais, acadêmicos e representantes da sociedade civil, num total de mais de 3 mil participantes.
Sob o tema “A Spirit of Dialogue”, o encontro aconteceu em um momento marcado por instabilidade geopolítica, mudanças climáticas, pressão sobre recursos naturais e insegurança alimentar.
Nesse contexto, este ano, a agricultura deixou de ser tratada apenas como setor produtivo e passou a integrar o núcleo das discussões econômicas globais.
O Fórum Econômico Mundial (WEF) 2026, marcou uma inflexão importante na forma como o agronegócio e o meio ambiente são tratados no debate internacional. Mais do que setores produtivos ou temas ambientais, agricultura, recursos naturais e sistemas alimentares passaram a ser reconhecidos como infraestrutura econômica essencial para a estabilidade global.
Como destacou o presidente do WEF, Børge Brende, “O diálogo não é um luxo em tempos de incerteza. É uma necessidade urgente”.
O Presidente Lula não compareceu pela 4ª vez consecutiva. O Brasil foi citado como líder no agro tropical e potencial protagonista na bioeconomia e créditos de carbono, porém sua representação não teve a participação dos ministros ligados à agricultura e ao meio ambiente.
A ausência de uma representação oficial de alto nível do Brasil nas discussões sobre agronegócio foi notada e gerou alertas sobre a perda de influência do país nesse debate estratégico global.
Por que o agro foi tema central em Davos 2026:
Agricultura como infraestrutura econômica global:
Em Davos 2026, a agenda oficial do World Economic Forum (WEF) tratou a agricultura não mais como “setor isolado”, mas como parte da infraestrutura econômica mundial essencial ao desenvolvimento sustentável, crescimento e segurança alimentar.
Tecnologia e Inteligência Artificial no agro:
Painéis como “Food @ the Edge” e Open Forum: Agricultural Evolution mostraram que tecnologia digital e inteligência artificial aplicada à agricultura — chamada de agricultural intelligence — pode revolucionar a produção de alimentos e enfrentar desafios como crescimento populacional, mudanças climáticas, eficiência produtiva sem expandir áreas cultivadas.
Segurança alimentar e recursos hídricos:
O tema da água, diretamente ligado à produção agrícola, foi tratado como central para garantir segurança alimentar, resiliência às mudanças climáticas e sustentabilidade das cadeias alimentares globais — integrando debates de economia, clima e política pública.
O agro foi reposicionado em Davos 2026 como um vetor estratégico de crescimento econômico, inovação tecnológica e segurança global, e não apenas como um setor produtivo tradicional.
Ao longo da programação, ficou evidente a mudança de narrativa: água, solo, biodiversidade e produção de alimentos passaram a ser tratados como ativos econômicos críticos, diretamente ligados à competitividade dos países e à resiliência das cadeias globais. A gestão eficiente desses recursos foi apresentada como condição básica para crescimento sustentável e mitigação de riscos climáticos e sociais.
A agenda destacou que a agricultura moderna depende cada vez mais de inovação tecnológica, dados, biociências e inteligência artificial, reforçando o papel do agro como setor intensivo em tecnologia e conhecimento. A digitalização da produção e a integração entre campo, indústria e mercados globais foram apontadas como caminhos para aumentar produtividade com menor impacto ambiental.
Outro ponto central dos debates foi a chamada finança da natureza. Iniciativas de restauração de áreas degradadas, conservação de ecossistemas e uso de soluções baseadas na natureza ganharam espaço como oportunidades reais de investimento, capazes de atrair capital privado e gerar retorno econômico mensurável.
O valor do setor agrícola global foi estimado em cerca de US$ 5 trilhões anualmente em 2025. Percentual do PIB Global: Projeções indicaram que a agricultura poderia contribuir com mais de 5% para o PIB global em 2025, ressaltando seu papel econômico fundamental. ( este dado pode variar conforme a fonte pesquisada)
Economias em Desenvolvimento: Em países em desenvolvimento, a agricultura é ainda mais vital, sendo responsável por cerca de 29% do PIB e fornecendo meios de subsistência para 2,5 bilhões de pessoas globalmente.
Participação na Economia Brasileira: Em 2025, estimou-se que o agronegócio representaria uma fatia significativa da economia brasileira, podendo atingir cerca de 29,4% do PIB nacional. Esse valor representaria o maior nível em 22 anos, com um crescimento estimado para o ano de até 5%.
Exportações Brasileiras: As exportações do agronegócio do Brasil em 2025 atingiram um recorde de US$ 169,2 bilhões, correspondendo a quase metade (48,5%) de todas as exportações do país no período.
Isso coloca o Brasil como um dos protagonistas mundiais em produção e exportação agrícola, mesmo que sua participação pública em Davos tenha sido mais técnica que política, gerando uma percepção de menor protagonismo político
A defesa do agronegócio brasileiro é pauta da ALAGRO, Associação Latinoamericada do Agronegócio, que atua em articulação com outras entidades setoriais, como a SRB, CNA dentre outras.
