A reportagem do Valor Econômico me chamou a atenção: como não pensar em trabalho no fim de semana? É cada vez mais difícil deixar as demandas no escritório. A cena descrita por especialistas é familiar: no sábado, em pleno cinema, o pensamento corre para o relatório inacabado; no domingo, durante a série preferida, a mente viaja para a reunião de segunda-feira.
Segundo Renata Rivetti, especialista em ciência da felicidade e autora do livro O Poder do Bem-Estar, profissionais que não conseguem se desligar do trabalho apresentam até 30% mais sintomas de exaustão do que os demais. O estudo foi publicado no Journal of Occupational Health Psychology, da Associação Americana de Psicologia. O alerta é direto: sem pausas reais, a produtividade cai e a saúde mental entra em risco.
Por isso, é preciso intenção e disciplina para preservar os finais de semana. O primeiro passo, explica Rivetti, é reduzir a exposição a celulares e computadores corporativos. O segundo é preencher o tempo com atividades prazerosas e de baixo esforço cognitivo, que ajudem a mente a descansar — como cozinhar, praticar esportes ou estar em contato com a natureza.
Outros psicólogos reforçam que valorizar colegas nos momentos de lazer, em vez de cobrar resultados, também é benéfico. Além disso, é fundamental combater uma cultura que glorifica a sobrecarga e o excesso de horas, em vez da eficiência. Para quebrar esse ciclo, especialistas recomendam alinhar prazos, negociar entregas e aprender a dizer não a demandas desnecessárias.
Executivos também ressaltam que o descanso é parte do desempenho. Desconectar não é luxo, é necessidade. Profissionais descansados tomam melhores decisões e lideram com mais clareza. Para manter esse equilíbrio, organizar os finais de semana com atividades que mudem o foco — como estar com amigos ou praticar yoga — pode ser essencial.
E aqui está o ponto central: descansar não é ausência de trabalho, é condição para continuar produzindo com qualidade. Segundo especialistas ouvidos pelo Valor Econômico, uma mente treinada para respeitar o lazer torna-se mais resiliente diante da pressão. Isso é maturidade profissional: não estar disponível o tempo todo, mas saber proteger o próprio tempo.