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Flanelinhas em BH: trabalho ou extorsão?

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(Guarda Municipal de BH/Divulgação)

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A situação dos flanelinhas em Belo Horizonte é motivo de preocupação para os que têm que estacionar seus carros nas ruas e avenidas da cidade. BH virou um território sem lei e é difícil concordar com uma atividade que é, a princípio, ilegal.

As ruas não podem ser propriedade de grupos que se arvoram em prestadores de um serviço que não oferece nenhuma garantia aos que o consomem. Para estacionar um veículo na cidade, você tem duas opções: ou estaciona nos rotativos digitais com o aplicativo, ou deixa à mercê dos “guardadores informais”. Ou seja, não há opção que ofereça tranquilidade ou segurança, como deveria acontecer.

As ruas de Belo Horizonte estão loteadas.

No caso dos flanelinhas, há ainda a divisão em dois grupos: um extraoficial, autenticados ou autorizados pela prefeitura com os tais coletes verdes, e os que usam os coletes laranja, que não têm identificação alguma, mas que são adquiridos para que se passem por oficiais e autorizados a tomar conta daquele local

Até quando se tem uma placa de rotativo, que significaria que ali você pode parar sem que ninguém incomode, aparecem os tais tomadores de conta, cobrando ou extorquindo algum valor. Essas ações são feitas com tranquilidade.

Logo que estaciona, será abordado, e se não fizer o pagamento solicitado, você corre riscos na integridade do seu veículo. Você credencia o seu carro no aplicativo, paga à Prefeitura e ainda paga ao flanelinha. Cobrança ou extorsão dupla?

Mais grave ainda é a situação nas proximidades de um evento. Por exemplo, vá a um show no Palácio das Artes, ao estacionar será pedido antecipadamente pelo “guardador” a quantia de cinquenta reais. Experimente não pagar…

Isso é estelionato, não há garantia nenhuma que ele tomará conta do seu carro, que ele irá prestar o tal serviço oferecido.

Um flanelinha que tem como lote um quarteirão, um quarteirão e meio, dois quarteirões de uma rua ou de uma avenida, ficará olhando o seu carro?

Isso é uma agressão ao cidadão, mas dirão os “protetores dos frascos e comprimidos” que ele está trabalhando. Não, não está, e me desculpem a sinceridade, ele não tem nenhuma responsabilidade pelo que faz. Ele pega seu dinheiro, agora estão modernos, aceitam pix, e diz que está tomando conta e não toma. Não lhe dará essa certeza, e nem pode dar.

Onde está o estado protetor? Cadê o estado que enche o nosso saco todos os dias, que cobra impostos, que cria regras impossíveis de serem cumpridas? Onde está esse estado que permite que uma atividade ilegal possa ser exercida aos olhos de todos nós? Haverá conivência e/ou cumplicidade dos agentes do estado nessa hora? Quem sabe uma partilha dos lucros obtidos.

Não sei. Só sei que executar políticas públicas traz o ônus das ações e é preciso uma rápida intervenção da Prefeitura de Belo Horizonte nessa situação.

Mas isso pode ser esperar demais de quem tão pouco tem entregado aos cidadãos.

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Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

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