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O que é PMMA? Entenda os riscos da substância e por que ela foi proibida pelo CFM

Por

Kellen Lanna

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(Foto: Reprodução).

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O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou na última sexta-feira (29/05), a proibição do uso do polimetilmetacrilato (PMMA) para finalidades estéticas. A medida entrará em vigor nesta terça-feira, 2, com a publicação da resolução nº 2.461/2026 no Diário Oficial da União.

A decisão foi anunciada após a morte de uma mulher em São Paulo. Ela teve uma parada cardiorrespiratória na última terça-feira, 26, um dia depois de passar por um procedimento de preenchimento com a substância nas coxas e nos glúteos.

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“É um produto que vem sequelando diversas pessoas. Essa é uma decisão ética, especialmente em defesa da segurança do paciente”, disse o presidente do CFM, José Hiran Gallo, durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, 1º.

O que é PMMA?

O PMMA é um polímero sintético da família dos acrilatos. Utilizado como preenchedor, é aplicado por meio de microesferas para promover aumento de volume em determinadas regiões do corpo.

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No entanto, diferentemente de outros preenchedores, o material não é absorvido pelo organismo e possui caráter permanente.

De acordo com o CFM, o PMMA pode provocar reações alérgicas, quadros de hipersensibilidade e infecções. Além disso, é frequentemente responsável por complicações graves, mesmo quando aplicado por profissionais capacitados, o que faz com que seus riscos superem os benefícios.

“É um produto permanente que não pode ser dissolvido com enzimas, como ocorre com o ácido hialurônico. Além disso, não é indicado para fins estéticos porque pode elevar os níveis de cálcio no organismo, levando à insuficiência renal e até à morte”, explica Reinaldo Tovo, dermatologista do Hospital Sírio-Libanês.

Quais os riscos do PMMA?

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Segundo Tovo, todas as pessoas estão sujeitas a complicações como hipercalcemia e insuficiência renal após a exposição ao PMMA, especialmente quando são aplicadas grandes quantidades do produto.

Também há risco de necrose por compressão ou embolização de pequenos vasos sanguíneos, condição conhecida como síndrome de Nicolau.

De acordo com o CFM, entre as complicações tardias associadas ao produto estão ainda reações inflamatórias persistentes, formação de granulomas e migração do material para outras regiões do corpo.

Além disso, quando a retirada do produto se torna necessária, a remoção cirúrgica nem sempre consegue restaurar a região afetada com um resultado estético satisfatório.

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Em quais casos o PMMA é indicado?

A única exceção prevista pelo CFM para o uso da substância é o tratamento da lipodistrofia em pessoas vivendo com HIV/aids, desde que realizado em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e em conformidade com os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde.

Segundo Gallo, o CFM também está em contato com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para defender a retirada definitiva do produto do mercado brasileiro, exceto para essa indicação específica.

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Para Tovo, mesmo os casos de lipodistrofia em pessoas com HIV/aids podem ser tratados sem PMMA. “Até pode ser utilizado em pacientes com HIV que apresentavam perda importante de gordura, principalmente na face. Hoje, porém, existem alternativas mais seguras e eficazes, com menor risco de complicações.”

O que dizem as sociedades médicas?

Após a morte da paciente em São Paulo, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) reforçou seu posicionamento contrário ao uso do PMMA para fins estéticos e defendeu maior controle sanitário e regulatório da substância.

Em nota divulgada no último sábado, 30, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) também ressaltou os riscos do PMMA e manifestou apoio à resolução do CFM.

“A decisão está em consonância com o posicionamento institucional da SBCP. A entidade já vinha recomendando aos seus membros que não utilizassem PMMA em qualquer circunstância ou quantidade, em razão das evidências científicas disponíveis e dos riscos associados ao seu uso.”

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