A sobrecarga enfrentada pelas mães brasileiras tem provocado um cenário preocupante de adoecimento mental. Um levantamento realizado pela Kiddle Pass em parceria com a B2Mamy aponta que 90% das mães no Brasil apresentam sintomas de burnout materno, condição caracterizada por exaustão extrema causada pelo estresse contínuo ligado aos cuidados com a casa, filhos e trabalho.
O tema ganha ainda mais relevância durante o mês das mães, período em que especialistas reforçam a necessidade de discutir a saúde mental feminina como questão de saúde pública. Apesar de o cansaço fazer parte da rotina materna, o burnout acontece quando o desgaste ultrapassa os limites físicos e emocionais, comprometendo a qualidade de vida da mulher e até a relação com os filhos.
Segundo a psicóloga Karina Siqueira, da Hapvida, o quadro vai além do estresse comum. “Quando o estresse começa a gerar sintomas físicos e emocionais mais intensos, já estamos diante de um quadro de burnout materno”, explica.
Entre os principais sinais estão dores de cabeça frequentes, crises de enxaqueca, falta de ar, taquicardia, tremores, problemas gastrointestinais e insônia. Além disso, mudanças de comportamento também podem indicar alerta, como a perda de interesse em atividades antes consideradas prazerosas.
“A mulher passa a não encontrar energia nem para os cuidados básicos do dia a dia. Esse distanciamento emocional é um dos principais indicativos”, afirma a especialista.
Falta de apoio agrava quadro
A ausência de uma rede de apoio aparece como um dos fatores que mais contribuem para o adoecimento. Mães solo, mulheres em situação de vulnerabilidade e aquelas que acumulam múltiplas jornadas têm maior risco de desenvolver a síndrome.
“A falta de suporte aumenta significativamente o risco de esgotamento”, destaca Karina.
Os impactos do burnout materno também podem atingir os filhos. De acordo com a psicóloga, o esgotamento reduz a disponibilidade emocional da mãe, o que pode gerar sensação de afastamento e negligência por parte da criança.
“A mãe provavelmente não terá condições de manter esse contato pleno e a criança pode sentir esse distanciamento”, alerta.
Após períodos de adoecimento, muitas mulheres ainda enfrentam sentimentos de culpa, agravados pela pressão social em torno da maternidade idealizada.
Pressão por perfeição
Para especialistas, a cobrança cultural para que a mulher dê conta de tudo sozinha contribui diretamente para o aumento dos casos de burnout materno.
“Existe uma cobrança invisível para que a mulher seja autossuficiente em tempo integral, mas essa perfeição é inalcançável. Reconhecer limites, aceitar ajuda e dividir tarefas não são sinais de fraqueza”, afirma Karina Siqueira.
A psicóloga ressalta que a participação do parceiro, familiares e amigos é essencial para dividir responsabilidades e permitir momentos de descanso.
O tratamento do burnout materno envolve acompanhamento psicológico e, em alguns casos, uso de medicação. A orientação é procurar ajuda já nos primeiros sinais, como tristeza persistente, ansiedade intensa e sensação constante de exaustão, para evitar agravamento do quadro.
