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‘Brasil tem um cofrinho de terras raras e precisa decidir o que fazer com ele’, diz pesquisador do ITR

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rdo Neves, pesquisador do CIT SENAI Instituto de Terras Raras da FIEMG; minerais são essenciais para baterias, chips e tecnologias verdes. (Reprodução/98News)

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Em entrevista à 98 News, durante o programa Meio-dia em Pauta, o pesquisador de inovação e tecnologia do CIT SENAI Instituto de Terras Raras da Fiemg, Eduardo Neves, afirmou que o Brasil precisa acelerar as decisões sobre exploração e industrialização de terras raras para não perder espaço na nova corrida tecnológica global.

A avaliação ocorre em meio ao avanço das discussões sobre a Política Nacional de Minerais Críticos no Congresso Nacional e após o tema entrar na pauta de reuniões entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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Segundo Eduardo Neves, o Brasil possui hoje uma posição estratégica no cenário mundial, mas ainda precisa avançar na cadeia de beneficiamento e industrialização desses minerais.

“O Brasil possui hoje a segunda maior reserva mapeada de terras raras. Esses números podem ser ainda maiores com os próximos levantamentos que estão em andamento”, afirmou.

Minerais são estratégicos para tecnologia e transição energética

As chamadas terras raras são utilizadas em diferentes tecnologias consideradas estratégicas, como baterias, carros elétricos, equipamentos médicos, celulares, dispositivos bluetooth e sistemas de energia limpa.

Segundo o pesquisador, a demanda mundial cresce impulsionada pela transição energética e pela busca por tecnologias mais eficientes.

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“Estamos enxergando uma transição para uma matriz energética mais verde, com dispositivos mais eficientes e que emitem menos CO2. Esses minerais fazem parte da construção dessa nova cadeia”, explicou.

Eduardo Neves destacou ainda que os minerais estão presentes em produtos do cotidiano e também em setores considerados sensíveis para a economia mundial.

“Vai desde aplicações simples até equipamentos complexos, como ressonância magnética. Hoje um carro possui dezenas de dispositivos que utilizam ímãs permanentes à base de terras raras”, disse.

Brasil tenta avançar na cadeia produtiva

Além da extração mineral, o pesquisador defende que o país aproveite o momento para subir na cadeia produtiva e agregar valor ao material.

Segundo ele, o Brasil ainda está concentrado na etapa inicial da mineração, mas precisa investir em beneficiamento químico e produção industrial.

“Quando você sai da mineração e passa a separar os óxidos e transformar isso em metais para aplicação tecnológica, você deixa de ser apenas uma indústria mineral e passa a atuar também como indústria química”, afirmou.

Atualmente, Goiás concentra uma das operações mais avançadas do país, mas Minas Gerais também possui projetos em estágio avançado, especialmente no Vale do Paranaíba.

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“Temos empresas em Minas Gerais já próximas da fase de extração e comercialização. É um setor que tende a crescer exponencialmente nos próximos anos”, avaliou.

Política de minerais é vista como oportunidade

Durante a entrevista, Eduardo Neves também comentou a discussão sobre a criação de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

Para ele, o debate precisa ser tratado como prioridade para atrair investimentos e consolidar o Brasil como fornecedor estratégico global.

“Temos que enxergar com bons olhos esse tipo de investimento e o desenvolvimento dessa tecnologia aqui no país. Minas Gerais possui alguns dos maiores depósitos do Brasil”, afirmou.

“O Brasil tem um cofrinho”

Ao comentar o cenário global, Eduardo Neves alertou que o país precisa agir rapidamente para aproveitar a atual janela tecnológica.

“O Brasil tem um cofrinho de terras raras e precisa decidir rapidamente o que vai fazer com ele. Existe um valor muito grande nisso e nós não sabemos até quando essa transição tecnológica vai durar”, declarou.

O pesquisador ainda comparou o potencial das terras raras ao impacto econômico da descoberta de petróleo.

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“É um recurso estratégico que pode posicionar o Brasil numa escala global de desenvolvimento tecnológico e novos investimentos”, concluiu.

Câmara aprova política nacional para exploração de minerais críticos e terras raras

Além disso, a Câmara dos Deputados aprovou na última quarta-feira (6) o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta prevê um fundo garantidor e crédito tributário de R$ 5 bilhões para estimular projetos de exploração e processamento mineral no país.

O texto também cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, vinculado à Presidência da República, e segue agora para análise do Senado.

Segundo dados apresentados durante a tramitação, o Brasil possui a maior reserva mundial de nióbio e a segunda maior reserva de terras raras do planeta, estimada em cerca de 21 milhões de toneladas.

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Igor Teixeira

Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de cidades e política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.

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