O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (18) que o Brasil pode se associar aos Estados Unidos na exploração de minerais críticos e terras raras, desde que o presidente norte-americano Donald Trump “pare de brigar” com o líder chinês Xi Jinping.
A declaração foi dada durante cerimônia de inauguração de quatro novas linhas do acelerador de partículas Sirius, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP).
Durante o discurso, Lula afirmou que o Brasil precisa acelerar o mapeamento mineral do território nacional e reforçou que o país não abrirá mão da soberania sobre os recursos naturais.
“A gente vai ter que contar com a inteligência e a ciência e o conhecimento de vocês pra gente dar um salto de qualidade e ver se num curto espaço de tempo a gente faz com que o Trump deixe de brigar com o Xi e venha se associar a nós para que a gente possa explorar aqui”, afirmou o presidente.
Lula defende soberania sobre terras raras
O presidente também disse que o Brasil está aberto a receber investimentos estrangeiros no setor, desde que o controle sobre os minerais permaneça com o país.
“Nós não temos veto a ninguém, nós não temos preferência por ninguém aqui. Pode vir chinês, pode vir alemão, pode vir francês, pode vir japonês, pode vir americano, pode vir quem quiser, desde que tenha consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania. Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas e a gente quer explorar aqui dentro”, declarou.
As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos usados em produtos de alta tecnologia, como celulares, baterias, semicondutores, turbinas e equipamentos militares. Apesar do nome, não são necessariamente raros, mas possuem extração complexa e alto valor estratégico.
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, que atualmente domina cerca de 90% do processamento global desses minerais.
Governo quer industrialização no Brasil
Durante o evento, Lula afirmou que o governo quer evitar que o país repita modelos históricos de exportação de commodities sem industrialização.
Segundo o presidente, a intenção é ampliar o processamento e a produção tecnológica dentro do território nacional, agregando valor aos minerais críticos.
“Estamos na era das terras raras, dos minerais críticos, e o Brasil só conhece 30% do que tem nesse território imenso. A gente precisa fazer um levantamento de 100% do Brasil”, afirmou.
Nos últimos meses, os Estados Unidos passaram a propor acordos de cooperação com diferentes países para exploração de minerais estratégicos. O governo brasileiro, porém, rejeitou modelos que, segundo o Planalto, poderiam comprometer a soberania nacional sobre os recursos naturais.
Lula critica formação voltada apenas ao mercado
Ainda durante o evento em Campinas, Lula também criticou o que classificou como excesso de influência do mercado na escolha profissional dos jovens brasileiros.
Ao citar o curso de medicina, o presidente afirmou que muitos estudantes escolhem a profissão pensando apenas em retorno financeiro.
“Muita gente que estuda medicina não é pra trabalhar no SUS, mas pra abrir uma clínica e ganhar muito dinheiro”, disse.
Segundo Lula, o Estado deve incentivar a formação de profissionais em áreas estratégicas para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.