O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (27/05) que o governo federal está preparado para enfrentar possíveis impactos do fenômeno climático El Niño no Brasil, especialmente na região amazônica.
A declaração foi dada durante entrevista à Rede Amazônica, afiliada da TV Globo no Amazonas.
“Sabemos que a natureza muitas vezes é incontrolável, mas nós estamos preparados, estruturados com tudo aquilo que é preciso para enfrentar uma crise provocada pelo El Niño”, afirmou Lula.
O presidente também criticou a situação encontrada pelo governo no início do mandato, sem citar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Quando entramos no poder, em 2023, não estávamos preparados porque estava desmontado o governo”, declarou.
Amazonas é uma das regiões mais afetadas pelo fenômeno
O tema preocupa especialmente o Amazonas devido aos impactos das secas severas sobre os rios da região.
Durante períodos de estiagem intensa, o nível do rio Amazonas baixa significativamente, comprometendo a navegação fluvial e dificultando o abastecimento e transporte de pessoas e mercadorias. Em alguns casos, cidades do interior e até a capital Manaus podem ficar parcialmente isoladas.
Especialistas apontam que o novo ciclo do El Niño deve começar até julho deste ano e seguir até fevereiro de 2027, provocando aumento das temperaturas e agravando períodos de seca em diversas regiões do país.
Flávio Dino cobra plano de prevenção contra incêndios
Na última segunda-feira (25/05), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o governo federal e estados da Amazônia e do Pantanal apresentem informações sobre medidas em andamento para prevenir e combater incêndios florestais.
A preocupação ocorre diante do risco de agravamento das queimadas em meio às mudanças climáticas e aos efeitos previstos do El Niño.
Lula volta a defender obras na BR-319
Durante a entrevista, Lula também voltou a defender a retomada das obras da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho (RO).
Segundo o presidente, a estrada é estratégica para evitar o isolamento da região durante períodos de seca extrema.
“Não tem sentido as cidades não conseguirem se comunicar e ficarem dependendo do rio, que quando seca não dá para fazer o transporte necessário”, afirmou.
O asfaltamento da BR-319 enfrenta críticas de ambientalistas, que apontam riscos de aumento do desmatamento na Amazônia. Lula, porém, afirmou que as obras serão realizadas com controle e cuidado ambiental.