PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Atlas da Mata Atlântica registra menor índice histórico de desmatamento em 40 anos de monitoramento

Siga no

Foto: Governo de São Paulo

Compartilhar matéria

O Dia Nacional da Mata Atlântica, celebrado em 27 de maio, foi instituído para conscientizar sobre a preservação de um dos biomas mais ricos e ameaçados do mundo. A data marca a assinatura da “Carta de São Vicente” pelo Padre Anchieta em 27 de maio de 1560, o primeiro documento a descrever a biodiversidade local nas Américas. 

Este  bioma está presente em 17 estados brasileiros, cobrindo áreas onde vivem cerca de 70% da população do país, sendo o segundo mais biodiverso do Brasil, abrigando mais de 20.000 espécies de plantas e 2.000 espécies de animais.

Além de sua rica biodiversidade, o bioma contribui para a regulação do clima e do fluxo dos mananciais, ajuda a garantir a fertilidade do solo e protege encostas, entre muitas outras funções essenciais.

Um dos instrumentos de gestão e controle deste ecossistema é o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, produto de uma colaboração entre a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) iniciada em 1989.

De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica, esta iniciativa tem o objetivo de determinar a distribuição dos remanescentes deste bioma, monitorar as alterações da cobertura vegetal e gerar informações permanentemente atualizadas tendo sido  um projeto pioneiro no Brasil.

Esse mapeamento é feito com base em imagens de satélites da família Landsat, cobrindo 12,4% da área de aplicação da Lei da Mata Atlântica (Lei nº 11.428/2006), que abrange territórios em 17

estados brasileiros. Desde 2021, imagens Sentinel-2 passaram a substituir as Landsat. 

Os remanescentes mapeados representam as florestas maduras do bioma Mata Atlântica – remanescentes maiores de três hectares sem sinais de degradação da cobertura florestal nas imagens de satélite.

No período de 2024 a 2025, dos 130.973.638 hectares que compõem a Área de Aplicação da Lei da Mata Atlântica, foi possível analisar 99,6% desta extensão. Os 0,4% restantes foram

parcialmente avaliados devido à interferência de nuvens nas imagens de satélite. 

O desflorestamento registrado totalizou 8.658 hectares, que correspondem à perda de 23,7 hectares de matas maduras por dia e à emissão de aproximadamente 4,14 milhões de toneladas de CO2 equivalente na atmosfera, seguindo os parâmetros do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

Este é o menor valor da série histórica (1985-2024), representando uma redução de 40% na taxa de desflorestamento em relação ao ano anterior. Desde 2020-2021, a diminuição foi de 60%, em

uma consistente trajetória de constante redução. Esta resulta de medidas concretas, como a Operação Mata Atlântica em pé, a aplicação de embargos remotos e a restrição de crédito a áreas

desmatadas ilegalmente.

O desflorestamento concentrou-se em cinco estados, responsáveis por 7.893 hectares, o que corresponde a 91% da perda total registrada no período: Minas Gerais (3.092 ha), Bahia (2.889 ha), Mato Grosso do Sul (841 ha), Piauí (659 ha) e Paraná (411ha). Porém, houve quedas expressivas em estados historicamente entre os maiores desmatadores, como Bahia (39%) e Piauí (78%).

Apenas Pernambuco, Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina apresentaram aumento em relação ao período de 2023-2024. Os outros 13 estados tiveram redução. 70% das perdas ocorreram em terras privadas e somente 1% em áreas protegidas.

O resultado representa o menor índice já registrado na série histórica do Atlas e marca, pela primeira vez em quatro décadas de monitoramento contínuo, um desmatamento anual inferior a 10 mil hectares em áreas de florestas maduras da Mata Atlântica.

Atualmente, restam cerca de 24% da cobertura original da Mata Atlântica. Desse total, aproximadamente 12,4% correspondem às chamadas florestas maduras, monitoradas pelo Atlas.

Preservar a Mata Atlântica é proteger a vida.

Compartilhar matéria

Siga no

Enio Fonseca

Engenheiro Florestal especialista em gestao socioambiental. CEO da Pack of Wolves Assessoria Socioambiental, Conselheiro do FMASE. Foi Superintendente do Ibama, Conselheiro do Copam e Superintendente de Gestão Ambiental da Cemig. Membro do IBRADES , ABDEM, ADIMIN, da ALAGRO E SUCESU

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de 98

Caso Lucas Ganem: o mandato sob suspeita e a vergonha da legislação eleitoral brasileira

Glifosato: A morte mora ao lado?

Paulo Leite: O palanque mineiro de Flávio Bolsonaro passa por Flávio Roscoe

Dia Mundial do Leite: comemorar, sim, mas sem fingir que está tudo bem

Kalil se encontra com presidente nacional do PT, mas diz: “Nada mudou”

Sábado: o dia em que até Deus pediu licença

Últimas notícias

Imposto do pecado? Saiba o que é e quais produtos podem ficar mais caros com a nova tributação

Neymar compartilha novo visual para a Copa do Mundo de 2026

Endrick titular? Ancelotti quebra mistério sobre escalação do Brasil contra Marrocos

Endrick brilha, e Brasil vence Egito em último compromisso antes da Copa

Zico? Saiba por que autor do gol do Egito tem nome de craque do Brasil 

Iván Román, do Atlético, se envolve em briga e é expulso em amistoso contra Portugal

Portugal vence Chile por 2 a 1 no penúltimo amistoso antes da Copa do Mundo

F1: Veja o grid de largada para o GP de Mônaco com Antonelli na pole e Bortoleto em 16°

Equipe de Maiara nega problemas de saúde e anuncia ação judicial contra críticos