O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, fez duras críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes nesta segunda-feira (1º/6), ao comentar a Operação Cerco Fechado, mobilização das forças de segurança contra facções criminosas em seis cidades mineiras. Durante coletiva de imprensa, Simões afirmou que decisões da Corte estariam dificultando o combate ao crime organizado e chegou a declarar que o STF “protege o que há de pior na sociedade brasileira”.
As declarações ocorreram durante o balanço da operação, considerada pelo governo estadual a maior mobilização integrada das forças de segurança já realizada em Minas Gerais. A ação reúne cerca de 2.980 agentes e ocorre simultaneamente em Belo Horizonte, Juiz de Fora, Uberlândia, Uberaba, Manhuaçu e Teófilo Otoni.
Ao comentar estratégias de combate às organizações criminosas, Simões defendeu o sufocamento financeiro das facções e criticou decisões judiciais que, segundo ele, têm limitado a atuação policial.
“O desserviço que o STF faz ao Brasil ao manter sem julgamento aquela ADPF que impede operações estruturadas nos morros do Rio de Janeiro é um absurdo”, afirmou.
O governador também direcionou críticas ao ministro Alexandre de Moraes por uma decisão relacionada ao uso de relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Segundo Simões, a exigência de autorização judicial prévia para utilização dessas informações prejudica bloqueios patrimoniais de integrantes de organizações criminosas.
“Isso faz com que vários dos nossos pedidos de bloqueio de bens fiquem suspensos ou, quando aconteçam, já não encontrem nada para bloquear”, declarou.
Em outro momento da coletiva, Simões afirmou que decisões do Supremo acabam beneficiando integrantes de facções criminosas.
“O nosso STF perde muito tempo com tema político e, ao dar decisões liminares que impedem operações estruturadas e restringem o uso dos relatórios de inteligência financeira, está protegendo o que há de pior na sociedade brasileira: o crime organizado e as facções”, disse.
As declarações foram feitas ao responder questionamentos sobre a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas por autoridades dos Estados Unidos. Simões afirmou considerar positiva a medida e argumentou que ela pode contribuir para o bloqueio internacional de recursos ligados a grupos criminosos.
Operação quer afastar o controle das facções
Antes das críticas ao Judiciário, o governador detalhou os objetivos da Operação Cerco Fechado. Segundo ele, a ação não busca apenas cumprir mandados de prisão, mas ampliar a presença do Estado em áreas consideradas vulneráveis à influência do crime organizado.
“Nós não estamos falando de uma operação de busca de alvos. O principal objetivo é garantir a ocupação do território pelo Estado e afastar qualquer tentativa de controle dessas áreas pelas facções”, afirmou.
De acordo com Simões, a operação atua simultaneamente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP). Ele afirmou que as três organizações possuem presença identificada por serviços de inteligência em diferentes regiões de Minas Gerais.
O governador citou como exemplos áreas de Belo Horizonte, Teófilo Otoni e outros municípios onde as forças de segurança identificaram atividades ligadas a essas facções. Segundo ele, os 26 territórios escolhidos para a operação foram definidos após meses de monitoramento.
“Muitas vezes não se trata de uma presença violenta, mas de um processo gradual de intimidação da população, impondo regras, serviços e formas de controle sobre a rotina dos moradores”, afirmou.
Até o início da tarde, a operação havia registrado 46 conduções, incluindo quatro adolescentes, além de 38 prisões ratificadas. Também foram apreendidas nove armas de fogo, dinheiro em espécie ainda em contabilização e dezenas de celulares e porções de drogas em revistas realizadas em unidades prisionais.
A operação não tem prazo para terminar. Segundo o governo estadual, as ações devem continuar nos próximos dias com foco na fiscalização de atividades econômicas ligadas às facções, remoção de estruturas de monitoramento clandestino e ampliação da presença policial nos territórios mapeados pela inteligência.
